ALEXANDER HAMPTON
Senti um toque suave no meu rosto. Um beijo na minha pálpebra. E então, uma voz que soava como seda.
— Bom dia, namorado.
Abri meus olhos. A luz da manhã inundava o quarto de Lizzy. E ela estava lá, pairando sobre mim.
Ela estava vestida com um terninho cinza-carvão que abraçava suas curvas de um jeito que era quase tão pecaminoso quanto uma lingerie. Seu cabelo estava preso em um coque apertado e profissional. Saltos. Batom claro e um relógio em seu pulso provavelmente valia mais do que o meu primeiro ano de lucros no café.
Era a CEO. E ela era, de alguma forma, ainda mais sexy.
— Bom dia, namorada. — A palavra parecia estranha e perfeita. Ela sorriu. — Você está... uau — murmurei, minha mão subiu para tocar sua calça. — Você está gostosa demais.
Seus olhos escureceram por um segundo.
— Não me tenta, Hampton — ela disse um pouco ofegante e se inclinou para me dar um beijo. — Eu tenho que ir trabalhar.
Ela se afastou, pegando sua bolsa e colocou-a no braço.
— Tem café pronto — avisou, já no modo de trabalho, verificando o telefone. — Eu não sei o que você vai fazer, se vai para o seu apartamento ou para o trabalho, mas... me ligue mais tarde.
— Vou ligar. — prometi.
— Ok, beijos.
E com isso, ela se foi. O barulho de seus saltos foi seguido pelo som da porta da frente fechando.
O silêncio tomou conta do apartamento.
Fiquei na cama dela por mais vinte minutos, o cheiro dela nos travesseiros, o gosto dela na minha boca. Namorada...
Levantei-me, tomei um banho rápido no chuveiro dela e bebi seu café. Era forte como o inferno. Claro que era.
Fui até o quarto para pegar minhas roupas. Ah, minhas roupas.... Elas estavam no meu apartamento alugado.
Tudo o que eu tinha aqui, em um monte amassado de vergonha no chão do quarto dela, era uma camisa de poliéster azul-royal rasgada no velcro, um par de calças azul-marinho justas demais e um distintivo de plástico.
— Ah, Leah, porque não me fez pensar na manhã do dia seguinte? — murmurei.
Eu não podia andar por Nova York assim. Olhei ao redor. Vasculhei a pilha de roupas. Havia a camiseta branca que eu usei por baixo. Estava amassada, mas limpa.
Vesti a camiseta branca. Vesti as calças de policial. Elas eram horríveis, mas cobriam minhas pernas. Joguei o resto da fantasia no lixo dela. Isso devia contarr como um serviço público.
Peguei minha carteira e meu celular. Encontrei a chave reserva dela na tigela perto da porta. Agora era minha.
Tranquei o apartamento, levando a chave comigo.
O porteiro no lobby, o mesmo da noite anterior, me deu um olhar estranho. Apenas balancei a cabeça, tentando parecer sério, como se estivesse disfarçado. Mas ele provavelmente pensava que eu era um prostituto.
Dirigi para o meu apartamento alugado no centro, sentindo-me ridículo. Troquei-me por jeans de verdade e uma camisa decente, sentindo minha dignidade retornar.
[...]
Bati na porta da casa da Leah. Ela abriu, uma nuvem de fumaça de cigarro saindo antes dela. Sério, porque ela anda fumando tanto?
— Uau — disse ela, seus olhos me avaliando. — Você não parece nada mal. Presumi que você tinha sido preso de verdade por usar aquela fantasia.
— Oi, Leah.
— Entra — ela disse, dando um passo para o lado. — Então? O que ela disse? Ela riu? Ela te expulsou? Ela chamou a polícia de verdade?
— Será que pode apagar esse cigarro? — Pedi abanando a fumaça da minha frente.
— Foi mal, estou muito estressada com o trabalho. — Ela amassou o cigarro e finalmente apagou. — Vou parar, prometo. Estou procurando outras formas de relaxar, inclusive...

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!