ALEXANDER HAMPTON
A luz da manhã entrava pelas frestas da cortina do quarto de Lizzy, desenhando linhas de poeira dourada no ar. Mas a minha visão favorita não era o nascer do sol sobre Manhattan. Era o emaranhado de cabelos escuros espalhado no meu peito e o peso quente e sólido do corpo dela pressionado contra o meu.
Lizzy dormia profundamente. A respiração dela era um ritmo suave e constante que parecia acalmar o meu próprio coração. Um braço dela estava jogado sobre a minha cintura, e sua mão esquerda repousava no meu esterno. O diamante do anel que eu lhe dera, capturava um raio de sol e brilhava.
Olhei para a minha própria mão, pousando sobre a dela. A aliança parecia ter estado ali a vida inteira.
Eu não queria me mexer. Poderia ficar ali, naquele casulo de lençóis de algodão e cheiro de limão e flores, pelo resto do fim de semana. Mas o relógio na mesa de cabeceira brilhava impiedoso: 08:15.
Hoje é sábado e eu tinha um compromisso. Um compromisso duplo, barulhento e cheio de energia, chamado Apollo e Orion.
Movi-me ligeiramente, tentando alcançar meu celular para verificar se Stella tinha mandado alguma mensagem de cancelamento de última hora, eu esperava que não, mas com Damian, nunca se sabe.
Lizzy resmungou, apertando o abraço.
— Fica quieto... — ela murmurou, a voz rouca de sono, soprando contra a minha pele.
— Eu queria — sussurrei, beijando o topo da cabeça dela. — Mas tenho dois monstrinhos para buscar às dez.
Ela suspirou, um som longo e dramático, e finalmente abriu um olho. Seu olhar era intenso, mesmo com a sonolência.
— Crianças... — ela disse, como se fosse um conceito abstrato.
— Sim, as crianças, amor. — Sorri, afastando uma mecha de cabelo do rosto dela. — Vamos. Eu preciso de um banho. E você precisa de café.
— Café... — A palavra pareceu ativá-la. Ela se espreguiçou, um movimento felino que fez o lençol escorregar, revelando a pele pálida do ombro e parte do seio.
Engoli em seco. Deus, ela era linda. E ela era minha. A tentação de cancelar tudo, ligar para Stella e dizer que eu estava com uma doença contagiosa repentina foi forte. Muito forte.
Lizzy percebeu meu olhar e um sorriso sedutor e preguiçoso curvou seus lábios.
— Gosta do que vê, amorzinho?
— Você sabe que sim. — Rolei para cima dela, apoiando meu peso nos cotovelos para não esmagá-la. — Mas temos um cronograma.
— Que se dane o cronograma. — Ela puxou minha nuca, trazendo minha boca para a dela.
O beijo foi lento, quente e com gosto de manhã. Minhas mãos deslizaram pelas costas dela, sentindo a maciez da pele, a curva da cintura. O desejo acendeu instantaneamente, uma fogueira que nunca parecia apagar quando eu estava perto dela.
Mas então, o alarme do meu celular tocou. 08:30.
Gememos em uníssono.
— Salvo pelo gongo — ela disse, me empurrando levemente. — Ou condenado por ele. Vamos. Banho.
Fomos para o chuveiro dela, aquele que parecia uma sala de spa. A água quente caiu sobre nós, lavando o sono.
Não houve sexo. Não porque não quiséssemos, mas porque sabíamos que se começássemos, não sairiamos dali antes do meio-dia.
Em vez disso, houve intimidade.
Lavei as costas dela, massageando seus ombros. Ela lavou meu cabelo, suas unhas arranhando levemente meu couro cabeludo de um jeito que me fazia fechar os olhos e suspirar.
— Você vai sobreviver a um fim de semana inteiro com dois meninos de seis anos? — ela perguntou, enquanto eu passava o sabonete em seu braço.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!