ALEXANDER HAMPTON
O relógio digital no painel marcava 17:15. O sol já havia começado sua descida atrás dos arranha-céus de Manhattan, pintando o céu de um roxo profundo e alaranjado.
— Cadê meu outro tênis?! — Apollo gritou, pulando em um pé só pela sala de estar, como um flamingo hiperativo.
— Você chutou para debaixo do sofá quando chegamos! — respondeu Orion, que já estava devidamente calçado, vestindo sua jaqueta estufada azul-e parecendo impaciente perto da porta.
Eu estava tentando enfiar minha carteira no bolso de trás e checar se tinha pego as chaves do carro.
— Apollo, debaixo do sofá. Agora. — ordenei, apontando.
O menino se jogou no chão, mergulhando como um soldado na trincheira, e emergiu segundos depois triunfante, segurando o tênis perdido como um troféu.
— Achei!
Enquanto ele lutava com os cadarços, uma batalha que ele insistia em travar sozinho, recusando minha ajuda, peguei meu celular.
Eu: Saindo agora.
A resposta de Lizzy veio quase instantaneamente, como se ela estivesse com o telefone na mão.
Lizzy: Copiado. O trânsito está razoável para um sábado. Encontro vocês em alguns minutos.
Eu: Estaremos lá. Procure por dois anões gritando e um adulto tentando manter a sanidade.
Lizzy: Acho que vou reconhecer. 😉
Sorri para a tela sentindo aquele aquecimento familiar no peito que surgia sempre que falava com ela. Guardei o celular no bolso da jaqueta de couro quando fui chamado.
— Vamos logo, papai! — Apollo reclamou, finalmente com os dois pés calçados, correndo para o lado do irmão. — O parque vai fechar!
— O parque fecha às dez da noite, apressadinho. Temos muito tempo. — Peguei as chaves. — Jaquetas fechadas?
— Sim!
— Toucas?
— Sim! — Eles puxaram as toucas de lã sobre as orelhas.
— Então vamos.
Saímos para o corredor. O elevador chegou rápido, e a descida de quarenta andares foi preenchida pelas especulações deles sobre quais brinquedos seriam mais assustadores e se eles teriam coragem de ir. Era sábado à noite, eu estava com os meninos que amava, e ia encontrar a mulher da minha vida. Nada poderia estragar isso.
Chegamos à garagem subterrânea e acomodei-os no banco de trás do SUV.
— Cintos? — verifiquei pelo retrovisor.
— Checado! — Orion fez um sinal de positivo com o polegar.
Arranquei o carro, saindo da garagem e entrando no fluxo vibrante da cidade. Nova York estava viva. Tudo parecia brilhar mais hoje.
O trajeto até o local da feira sazonal, o parque de diversões foi montado temporariamente em uma área aberta perto do rio, com vista para a cidade. levou apenas vinte minutos. O suficiente para aumentar a ansiedade no banco de trás para níveis críticos.
— Eu estou vendo a roda gigante! — Apollo gritou, apontando para a estrutura iluminada que se erguia contra o céu noturno.
Estacionei o carro e assim que desliguei o motor, respirei fundo.
— Ok, regras. — Virei-me para trás. — Ninguém solta a minha mão enquanto estivermos na multidão. Se a gente se separar, fiquem parados e gritem meu nome. E nada de comer doces antes do jantar de verdade, ou pelo menos... não muitos doces. Entendido?
— Entendido, papai!



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!