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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 2

ALEXANDER HAMPTON

Correr não era rápido o suficiente. Eu queria voar. Eu queria ter visão de raio-X. Eu queria voltar no tempo cinco minutos e nunca ter tirado os olhos daquele banco maldito.

Minha mente era invadida por cenários catastróficos. Sequestro. Acidente. Ele saindo para a rua e sendo atropelado. A culpa era um ácido no meu estômago. Eu tinha prometido a Damian que cuidaria deles. E eu tinha falhado. No primeiro dia.

Empurrei um grupo de adolescentes que bloqueava o caminho, ignorando seus protestos irritados.

— ORION! — meu grito saiu rouco, desesperado.

Cheguei à praça central, onde ficava a cabine de informações e segurança. Havia uma fila pequena de pessoas perdidas ou reclamando.

Não esperei.

Cortei a fila, batendo as mãos no balcão de metal.

— Meu filho sumiu.

O atendente, um homem mais velho com cara de tédio, levantou os olhos.

— Senhor, a fila começa...

— MEU FILHO SUMIU! — rugi, agarrando a borda do balcão. — Ele tem seis anos. Casaco azul, touca cinza. Nome Orion. Anuncie agora ou derrubo essa cabine.

O homem arregalou os olhos. A urgência e a fúria no meu rosto devem ter sido convincentes, porque ele pegou o microfone imediatamente.

— Qual o nome dele, senhor?

— Orion. Orion Winter.

O som de estática preencheu o parque, seguido pela voz anasalada do homem falando nos alto-falantes gigantes.

"Atenção, visitantes. Atenção. Procuramos por um menino perdido. Orion Winter. Seis anos de idade. Vestido de azul e touca cinza. Se alguém o vir, por favor, leve-o à cabine de informações ou procure um segurança imediatamente."

Afastei-me do balcão, girando em círculos, meus olhos varrendo a multidão que agora parecia ter parado um pouco para ouvir.

— Orion... — sussurrei.

Comecei a correr novamente, refazendo o caminho em direção à entrada. Apollo disse que ele viu o Homem-Aranha vendendo balões. Onde ficam os vendedores de balões? Perto da entrada. Perto da saída. Perto dos banheiros.

Fui para a entrada principal. Nada.

Fui para os banheiros. Entrei no masculino gritando o nome dele, assustando dois homens que lavavam as mãos. Nada.

Peguei meu celular pronto para ligar para a polícia. Eu tinha que ligar. E depois para Damian. Eu teria que ligar para Damian e Stella e dizer que perdi o filho deles. Que eu quebrei minha promessa. Que eu não merecia a confiança deles.

— Senhor?

Uma voz chamou atrás de mim.

Virei-me tão rápido que quase caí.

Parado a alguns metros de distância, perto de um poste de luz, estava um homem vestido com uma fantasia barata e um pouco folgada do Homem-Aranha. Ele segurava um enorme cacho de balões estrelas pratas, douradas e corações vermelhos flutuando acima da cabeça.

E segurando a mão livre do Homem-Aranha, com a outra mão segurando firmemente o seu urso de pelúcia azul...

— ORION!

O grito saiu do fundo da minha alma.

Orion levantou a cabeça. Seus olhos estavam vermelhos e inchados de choro, o nariz escorrendo. Quando me viu, ele soltou a mão do Homem-Aranha e correu.

— PAPAI!

Eu caí de joelhos, ele se chocou contra mim e eu o abracei, enterrando meu rosto no pescoço dele, sentindo o cheiro de xampu e o frio da noite no casaco dele.

— Graças a Deus... Graças a Deus... — eu soluçava, sem me importar com quem estava olhando. As lágrimas quentes escorriam pelo meu rosto, misturando-se com o alívio imenso.

Apertei-o contra mim, verificando se ele estava inteiro. Braços, pernas, cabeça. Tudo ali.

— Eu me perdi... — Orion choramingou contra meu ombro. — Eu fui ver o Homem-Aranha e quando virei você não tava mais lá...

— Eu sei, eu sei... — Beijei a cabeça dele repetidamente. — Está tudo bem. Eu estou aqui. Nunca mais faça isso, ouviu? Nunca mais solte minha mão.

Levantei-me, ainda segurando Orion no colo como se ele fosse um bebê, e olhei para o vendedor de balões.

Casal 2: 70 - Homem aranha salva o dia 1

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