ALEXANDER HAMPTON
Correr não era rápido o suficiente. Eu queria voar. Eu queria ter visão de raio-X. Eu queria voltar no tempo cinco minutos e nunca ter tirado os olhos daquele banco maldito.
Minha mente era invadida por cenários catastróficos. Sequestro. Acidente. Ele saindo para a rua e sendo atropelado. A culpa era um ácido no meu estômago. Eu tinha prometido a Damian que cuidaria deles. E eu tinha falhado. No primeiro dia.
Empurrei um grupo de adolescentes que bloqueava o caminho, ignorando seus protestos irritados.
— ORION! — meu grito saiu rouco, desesperado.
Cheguei à praça central, onde ficava a cabine de informações e segurança. Havia uma fila pequena de pessoas perdidas ou reclamando.
Não esperei.
Cortei a fila, batendo as mãos no balcão de metal.
— Meu filho sumiu.
O atendente, um homem mais velho com cara de tédio, levantou os olhos.
— Senhor, a fila começa...
— MEU FILHO SUMIU! — rugi, agarrando a borda do balcão. — Ele tem seis anos. Casaco azul, touca cinza. Nome Orion. Anuncie agora ou derrubo essa cabine.
O homem arregalou os olhos. A urgência e a fúria no meu rosto devem ter sido convincentes, porque ele pegou o microfone imediatamente.
— Qual o nome dele, senhor?
— Orion. Orion Winter.
O som de estática preencheu o parque, seguido pela voz anasalada do homem falando nos alto-falantes gigantes.
"Atenção, visitantes. Atenção. Procuramos por um menino perdido. Orion Winter. Seis anos de idade. Vestido de azul e touca cinza. Se alguém o vir, por favor, leve-o à cabine de informações ou procure um segurança imediatamente."
Afastei-me do balcão, girando em círculos, meus olhos varrendo a multidão que agora parecia ter parado um pouco para ouvir.
— Orion... — sussurrei.
Comecei a correr novamente, refazendo o caminho em direção à entrada. Apollo disse que ele viu o Homem-Aranha vendendo balões. Onde ficam os vendedores de balões? Perto da entrada. Perto da saída. Perto dos banheiros.
Fui para a entrada principal. Nada.
Fui para os banheiros. Entrei no masculino gritando o nome dele, assustando dois homens que lavavam as mãos. Nada.
Peguei meu celular pronto para ligar para a polícia. Eu tinha que ligar. E depois para Damian. Eu teria que ligar para Damian e Stella e dizer que perdi o filho deles. Que eu quebrei minha promessa. Que eu não merecia a confiança deles.
— Senhor?
Uma voz chamou atrás de mim.
Virei-me tão rápido que quase caí.
Parado a alguns metros de distância, perto de um poste de luz, estava um homem vestido com uma fantasia barata e um pouco folgada do Homem-Aranha. Ele segurava um enorme cacho de balões estrelas pratas, douradas e corações vermelhos flutuando acima da cabeça.
E segurando a mão livre do Homem-Aranha, com a outra mão segurando firmemente o seu urso de pelúcia azul...
— ORION!
O grito saiu do fundo da minha alma.
Orion levantou a cabeça. Seus olhos estavam vermelhos e inchados de choro, o nariz escorrendo. Quando me viu, ele soltou a mão do Homem-Aranha e correu.
— PAPAI!
Eu caí de joelhos, ele se chocou contra mim e eu o abracei, enterrando meu rosto no pescoço dele, sentindo o cheiro de xampu e o frio da noite no casaco dele.
— Graças a Deus... Graças a Deus... — eu soluçava, sem me importar com quem estava olhando. As lágrimas quentes escorriam pelo meu rosto, misturando-se com o alívio imenso.
Apertei-o contra mim, verificando se ele estava inteiro. Braços, pernas, cabeça. Tudo ali.
— Eu me perdi... — Orion choramingou contra meu ombro. — Eu fui ver o Homem-Aranha e quando virei você não tava mais lá...
— Eu sei, eu sei... — Beijei a cabeça dele repetidamente. — Está tudo bem. Eu estou aqui. Nunca mais faça isso, ouviu? Nunca mais solte minha mão.
Levantei-me, ainda segurando Orion no colo como se ele fosse um bebê, e olhei para o vendedor de balões.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!