ELIZABETH WINTER
— Não funcionam como eu quero? — O tom dela subiu uma oitava. — Ou será que... na verdade, você não tem vídeo nenhum?
Parei.
Aí estava. A cartada dela. O blefe reverso. Ela tinha passado os dias remoendo, tentando encontrar furos na minha história, tentando se convencer de que eu estava mentindo.
— Você está blefando, Elizabeth. — ela continuou, ganhando velocidade, tentando se convencer enquanto falava. — Aquele caso foi fechado há anos. Meu pai pagou todo mundo. Policiais, legistas, vizinhos. Não existe vídeo. Você inventou isso para me assustar. É clássico seu. Usar o medo porque não tem munição.
Fechei os olhos por um momento, sentindo uma pontada de pena. Não dela, mas da estupidez humana em geral.
— Primeiro: Não me chame de Elizabeth, isso me estressa. Segundo: Você quer pagar para ver, Marissa? — perguntei calmamente.
— Se você tivesse o vídeo, por que não me entregaria? — ela desafiou. — Se você quer tanto que eu suma, me dê a maldita prova e eu sumo!
— Você acha que eu sou burra? — Minha voz caiu para um sussurro. — Você acha que eu nasci ontem? Se eu te entregar a única coisa que mantém a sua coleira apertada, o que te impede de voltar daqui a um mês me infernizar, quando você estiver entediada ou com inveja de novo? — Modéstia à parte, eu estava improvisando muito bem para alguém que não tinha prova nenhuma.
— Eu dou a minha palavra! — ela gritou. — Eu juro!
— A palavra de uma fura-olho como você não vale a água suja do meu banho, Marissa. — retruquei. — A sua "honra" é inexistente. A única coisa que garante o seu silêncio é o medo. E se eu te entregar a prova, o medo acaba.
— VOCÊ NÃO TEM O VÍDEO! — Ela explodiu do outro lado, uma risada histérica escapando. — Eu sabia! Você está enrolando porque não tem nada! Você é uma mentirosa, Lizzy. Você sempre foi.
Suspirei novamente. Eu realmente queria relaxar essa manhã. Mas parecia que eu teria que destruir alguém antes do meio-dia.
— Ok. — falei, com calma. — Você quer provas?
— Eu quero ver o vídeo!
— Eu não estou com o arquivo aqui na banheira comigo, Marissa. Mas... a memória é uma coisa engraçada, não é? Especialmente quando você vê algo que nunca deveria ter visto.
— O que...
— Deixe-me refrescar sua memória. — Interrompi. — Aspen. Chalé número 4. A sala principal tinha aquela lareira de pedra enorme, lembra? E um tapete de pele de urso falso branco no centro.
Ouvi a respiração dela travar.
— Todo mundo sabe como era o chalé... — ela sussurrou, fraca.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!