ALEXANDER HAMPTON
DIAS DEPOIS...
O cursor na tela do meu laptop piscava em um ritmo monótono, uma linha vertical preta aparecendo e desaparecendo sobre a planilha de custos de importação dos novos grãos da Etiópia. Era uma tarefa simples. Eu já tinha feito isso mil vezes. Mas hoje, a matemática parecia grego antigo.
O motivo da minha distração não era o café, nem o barulho ao fundo, nem a música indie suave que tocava nos alto-falantes do Fox & Maple.
O motivo estava sentado do outro lado da mesa, me encarando.
Elizabeth Winter estava apoiada no cotovelo, o queixo descansando na palma da mão, seus olhos castanhos fixos em mim. Ela brincava distraidamente com a borda de um guardanapo de papel, mas seu foco não vacilava.
Tentei digitar um número. Errei. Apaguei.
Suspirei, recostando-me na cadeira e tirando os olhos da tela para encontrá-la.
— Você não tem nada para fazer, Lizzy? — perguntei, tentando soar exasperado, mas falhando miseravelmente porque, no fundo, eu adorava tê-la ali, mesmo que atrapalhasse meu trabalho.
Ela piscou, saindo do transe, e um sorriso preguiçoso curvou seus lábios.
— Não. — respondeu simplesmente. — Na verdade, não. Damian reassumiu o trono, eu sou uma mulher de lazer.
Franzi a testa.
— Mas... você não tem um cargo na empresa? Diretora de Marketing ou algo assim?
— É, tenho algo assim. — Ela deu de ombros, como se fosse um detalhe irrelevante. — Mas é um cargo com horários... extremamente flexíveis. Eu posso fazer meu trabalho de qualquer lugar. Inclusive daqui, enquanto observo meu namorado sendo sexy e franzindo a testa para uma planilha de Excel.
Balancei a cabeça, rindo pelo nariz.
— "Horários flexíveis" — repeti. — Em outras palavras, você não vai trabalhar porque não quer e tem uma equipe inteira de pessoas que podem fazer por você.
— Exatamente. — Ela sorriu, sem um pingo de vergonha.
— Sabe... — comentei, voltando a olhar para ela — por causa da sua insistência em vir comigo e ficar "me fazendo companhia", eu tive que dispensar minha gerente hoje.
Lizzy riu, pegando minha xícara de café e dando um gole, ignorando o fato de que ela tinha a dela intocada na mesa.
— Aposto que a Larissa está dando graças a Deus. Quem não gostaria de um dia de folga surpresa no meio da semana? Eu fiz um favor a ela.
— Pode ser — concordei. — Ela pode estar feliz, mas eu não estou. Porque agora eu tenho que fazer o meu trabalho e o trabalho dela. O que significa conferir o estoque, fechar o caixa e garantir que ninguém coloque uma coisa no lugar da outra.
Lizzy revirou os olhos e se ajeitou na cadeira.
— Pare de reclamar, Hampton. Eu posso ajudar.
Arqueei uma sobrancelha.
— Você? A mulher que acabou de dizer que não quer fazer o próprio trabalho com "horários flexíveis"?
— O meu trabalho é chato. Me dê alguma coisa. Eu sou ótima em organizar.
Hesitei por um segundo, "organizada" não é uma palavra que eu usaria para descrevê-la. Mas olhando para as notas fiscais bagunçadas que precisavam ser categorizadas, achei que pior não podia ficar.
— Tudo bem. — Empurrei a pilha para ela. — Organize isso por data e fornecedor. Se você achar algum erro, me avise. E não use para fazer aviões de papel.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!