ALEXANDER HAMPTON
Algumas horas depois, deixei Lizzy na sede da Winter. Ela disse que precisava "aparecer para manter as aparências" e assinar alguns documentos. Almoçamos juntos antes, mas o clima estava levemente diferente.
Assim que a deixei, dirigi em busca de uma perspectiva diferente. Precisava de alguém que me conhecesse melhor do que eu mesmo e que não tivesse medo de me dar um tapa na cara se eu estivesse sendo idiota.
Estacionei na frente do prédio onde Leah morava. A porta estava destrancada. Leah tinha uma fé inabalável na humanidade ou na sua capacidade de acertar alguém com um taco de beisebol, qualquer opção me preocupava.
— Sou eu! — anunciei, entrando.
Leah estava no sofá, cercada por livros de medicina, um esqueleto de plástico e caixas de pizza vazias. Ela levantou a cabeça, os cabelos cacheados presos em um coque desgrenhado.
— Olha só, o filho pródigo retorna da terra dos ricos. — Ela sorriu, empurrando os livros para o lado.
— Você parece bem ocupada. — Joguei-me na poltrona velha de veludo. — Já era ocupada como enfermeira, mas como médica, seu estilo de vida virou uma loucura.
— Estou bem, as coisas estão se encaixando. Mas e você, veio aqui por quê?
— Vim buscar conselhos. — admiti, esfregando o rosto.
Leah sentou-se mais ereta, o interesse brilhando nos olhos.
— Problemas no paraíso?
— Não. É só que... — Bufei, frustrado. — Ela não quer contar para a família. Sobre nós.
— E daí? — Leah deu de ombros. — Vocês estão juntos há o quê? um mês ou dois meses oficiais?
— Parece bem mais tempo. E eu estou usando o anel. Ela está usando o anel. Eu conheço o irmão dela. A Stella é minha melhor amiga. Parece... errado esconder isso. Parece que ela tem vergonha, ou que não tem certeza.
Leah revirou os olhos.
— Você é tão dramático, Alex. Talvez ela só queira ter algo que seja só de vocês por um tempo, antes que vire fofoca de jantar de domingo.
— Eu perguntei se ela achava que íamos durar. — confessei, baixinho. — Ela disse que "vamos longe".
— Você queria que ela jurasse amor eterno e marcasse a data do casamento? — Leah riu. — Calma, Romeu. Dê tempo ao tempo.
Eu ia responder, argumentar que quando se sabe, se sabe, mas o telefone de Leah, jogado em cima de uma pilha de anotações de anatomia, começou a tocar.
Leah pegou o aparelho e olhou para a tela.
— Falando no diabo... — Ela sorriu. — É a Stella.
— Atenda. — falei.
Leah deslizou o dedo e ajeitou o cabelo rapidamente.
O rosto de Stella apareceu na tela do celular, que Leah apoiou contra uma garrafa de água para que nós dois pudéssemos ver.
— Nossa, alguém está me ligando pela primeira vez. — Leah brincou. — Algo importante deve ter acontecido, já que sou sempre a primeira a ligar.
— Oi pra você também, Leah. Oi, Alex, o que faz ai?


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!