ALEXANDER HAMPTON
Era um sábado à noite em Nova York.
Eu tinha sugerido algo civilizado para o encontro entre Lizzy e Leah. Um jantar no meu apartamento, onde eu poderia controlar a música e o fluxo de vinho. Ou talvez um restaurante italiano tranquilo no West Village.
Fui voto vencido. Massacrado, na verdade.
Leah queria dançar. Lizzy, surpreendentemente, apoiou a ideia com entusiasmo, dizendo que precisava "extravasar a semana". O resultado? Estávamos na fila VIP de uma boate no Meatpacking District chamada Velvet, que, segundo Leah, era "o lugar" para estar.
Pelo menos, consegui negociar uma mesa. Reservei um dos camarotes com sofás de veludo, - suponho que é daí que vem o nome do lugar - longe da pista de dança principal, onde a música era ligeiramente menos ensurdecedora.
Entramos. O lugar era escuro, iluminado por flashes estroboscópicos roxos e dourados. O baixo da música eletrônica batia no meu peito como um segundo coração.
— É bem alto! — gritei para Lizzy, que caminhava ao meu lado, segurando minha mão.
Ela se virou e sorriu. Minha garota estava deslumbrante. Um vestido prateado curto que capturava cada feixe de luz, botas pretas de cano alto e o cabelo solto em ondas selvagens.
— O quê? — ela gritou de volta.
Resmunguei algo ininteligível e a guiei até o nosso camarote. Sentamos lado a lado no sofá. Lizzy cruzou as pernas, parecendo perfeitamente à vontade naquele ambiente, o que me lembrou que, antes de ser minha namorada "caseira", ela era uma socialite de Nova York e do mundo.
— Não sei o que elas vão conseguir conversar com esse barulho. — reclamei, mais para mim mesmo do que para ela.
— O quê você disse? — Lizzy perguntou, inclinando-se para o meu ouvido.
— Nada! — gritei. — Disse que você está linda!
Ela sorriu e me beijou na bochecha, possivelmente deixando uma marca de batom.
Minutos depois, Leah chegou. Ela passou pela segurança vestindo jeans rasgados, um top preto e jaqueta de couro.
— CHEGUEI! — ela anunciou, jogando-se no sofá em frente a nós. — Meu Deus, esse lugar é incrível! Alex, peça bebidas. Quero algo que tenha guarda-chuvas e muito álcool!
— Vou buscar. — levantei-me. — Lizzy?
— Gin tônica. — ela pediu.
Fui até o bar. Demorei uns quinze minutos para conseguir as bebidas no meio da multidão suada. Quando voltei, equilibrando três copos, parei por um segundo para observar.
Lizzy e Leah estavam conversando. Não sei como, dado o volume, mas estavam. Elas riam. Leah gesticulava freneticamente, provavelmente contando alguma história de horror do hospital, e Lizzy ouvia com atenção, rindo e tocando o braço da minha irmã.
Senti um alívio imenso. Elas estavam se dando bem.
Coloquei as bebidas na mesa.
— Aqui está.
— Obrigada, maninho! — Leah brindou. — Estava contando para a Lizzy sobre o paciente que engoliu uma dentadura.
— Não quero saber. — Fiz uma careta, sentando-me ao lado de Lizzy e passando o braço pelos ombros dela. — Por favor, sem trocar fluidos corporais hoje, pelo menos não na minha frente.
Lizzy riu, tomando um gole do seu drink.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!