ALEXANDER HAMPTON
A pilha de notas fiscais tinha diminuído consideravelmente graças à intervenção "estagiária" de Lizzy, mas minha mesa ainda parecia o cenário de um desastre burocrático. Eu estava tentando focar em um relatório de sustentabilidade para os investidores, mas duas batidas na porta quebraram meu transe.
— Entre — murmurei, sem tirar os olhos da tela.
Larissa entrou. Ela já tinha voltado do seu "dia de folga" forçado, que eu suspeitava que ela tivesse usado para dormir, a julgar pela cara descansada, e trazia consigo uma prancheta e uma expressão de diversão e dever.
— Sr. Hampton? — ela chamou. — Tenho um recado da Sra. Stella.
Levantei a cabeça, interessado.
— Stella? Aconteceu alguma coisa com os meninos?
— Não, não. — Larissa abanou a mão. — É social. Ela ligou para o café agora pouco, disse que tentou o seu celular mas deu caixa postal.
Verifiquei meu telefone. Bateria morta. Ótimo.
— O que ela disse?
Larissa pigarreou, ajeitou a postura e, numa imitação assustadoramente precisa do tom doce-mas-mandão de Stella, disse:
— "Larissa, querida, avise ao Alex que haverá um jantar aqui em casa hoje à noite. Uma coisa pequena, só família e amigos, para comemorar oficialmente o noivado. Ele está intimado a comparecer, sem desculpas."
Sorri. Stella não perdia tempo.
— Tudo bem. Avise que estarei lá.
— Tem mais uma coisa. — Larissa deu um passo à frente, baixando a voz para um sussurro conspiratório, ainda no personagem. — "E diga a ele que... se ele quiser... pode trazer a namorada."
Arqueei uma sobrancelha tão alto que ela quase encostou no meu cabelo.
— Namorada? — repeti, fingindo a melhor cara de confusão que consegui.
Larissa desfez o personagem e revirou os olhos, voltando a ser minha gerente.
— Foi exatamente o que eu perguntei, chefe. "Namorada, Sra. Stella?". E ela riu e disse: "Eu sei que tem alguém na jogada, Larissa. O Alex e a Leah estão de segredinho. Diga para ele não ser tímido."
Senti o calor subir pelo meu pescoço. Stella era perspicaz demais para o meu próprio bem.
— A Stella tem uma imaginação fértil — desconversei, pegando uma caneta e girando entre os dedos. — Diga a ela que irei sozinho. Como sempre.
Larissa me lançou um olhar de "eu sei que você tá mentindo, mas vou respeitar a hierarquia", sorriu e saiu da sala.
Assim que a porta fechou, coloquei o celular no carregador e esperei ele ressuscitar. Assim que a maçã mordida apareceu na tela, digitei uma mensagem para Lizzy.
Eu: Fui convidado para um jantar de noivado hoje à noite e você?
A resposta de Lizzy veio minutos depois.
Lizzy: Eu sei. Damian acabou de passar aqui na minha sala. Ele me "convidou" (leia-se: intimou como obrigação familiar). Disse que nossa mãe e pai estarão lá.
Eu: Você vai?
Lizzy: Sou a irmã do noivo. Se eu não for, Damian me mata e mamãe me deserda. E você? Vai enfrentar a cova dos leões?


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!