ELIZABETH WINTER
— Eles já não beberam demais? — A pergunta de Stella interrompeu nossas risadas sobre as tentativas frustradas de Leah de flertar com um residente bonitão do hospital.
Olhei para o jardim através das grandes portas de vidro. Lá fora, sob a luz amarela da varanda, duas figuras masculinas pareciam estar em uma conferência de cúpula altamente instável. Damian estava perigosamente inclinado para trás, e Alex tinha algo amarrado na testa que parecia suspeitamente com uma das gravatas de seda italiana do meu irmão.
— Se a bebida está fazendo eles se darem tão bem... — comentei, observando a cena patética e fascinante — é melhor sempre termos uma garrafa a postos quando os dois se reunirem. Eles parecem dois melhores amigos que acabaram de descobrir o sentido da vida.
Stella e Leah riram.
— É um milagre — Leah concordou, balançando a taça de vinho quase vazia. — Considerando que há menos de um ano eles queriam se matar, eu diria que isso é progresso.
— Mesmo assim... — Stella franziu a testa. — Estou preocupada em como o Alex vai voltar. Ele não está em condições de dirigir nem um carrinho de supermercado, quem dirá o SUV dele. E pedir um Uber nesse estado... ele é capaz de dar o endereço da Casa Branca.
— Eu levo o meu irmão — Leah ofereceu, espreguiçando-se no sofá. — Mas meu carro está na oficina. Vim de táxi.
— Eu posso levá-lo. — A frase saiu da minha boca antes que eu pudesse calcular os riscos.
Stella virou a cabeça rapidamente, franzindo as sobrancelhas perfeitas.
— Você? Por que você levaria o Alex?
Meu cérebro entrou em alerta de crise. Pense rápido, Elizabeth.
— Ah, você não soube? — Soltei uma risada leve, casual. — Nós somos praticamente vizinhos agora. Eu o encontrei algumas vezes correndo no Central Park e descobrimos que o apartamento novo dele é dois andares abaixo do meu. Então, é caminho. Não me custa nada deixar o bêbado na porta dele.
Stella piscou, processando a informação.
— Ah, é verdade! — Ela bateu a mão na testa. — Eu sabia que ele tinha se mudado para o Upper West Side, mas esqueci que era o seu prédio. Que coincidência!
— Muita coincidência. — concordei, pegando minha bolsa. — Então, vamos pará-los antes que eles decidam resolver os problemas do Oriente Médio ou cantar karaokê.
— Acho que eles já passaram desse limite há muito tempo. — Leah comentou, levantando-se. — Se eu conheço meu irmão, a fase do "eu te amo, cara" já passou e agora estamos na fase das confissões perigosas.
Caminhamos até o jardim. A noite estava fresca, com aquele cheiro de grama úmida e orvalho.
Conforme nos aproximávamos, as vozes deles ficaram mais claras. Eles estavam inclinados um para o outro, testa com testa, sussurrando com o volume de dois megafones defeituosos.
— Quer que eu te conte o nome da minha namorada? — A voz de Alex arrastada chegou aos meus ouvidos.
Congelei. Meu sangue virou gelo.
— Você vai contar? Agora? — Damian perguntou, os olhos arregalados como se estivesse prestes a ouvir o segredo da Coca-Cola.
— Talvez. — Alex sorriu, aquele sorriso torto e imprudente de quem perdeu o freio. — Mas cê não pode contar pra ninguém, ok? Nem pro Papa. Nem pra Stella. Nem pro seu cachorro.
— Eu não tenho cachorro. — Damian sussurrou de volta. Eles pensavam que estava sussurrando, na verdade o tom de voz era bem audível. — Mas eu prometo. Diga. Quem é ela? É famosa? É uma modelo? É uma espiã russa?



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!