ALEXANDER HAMPTON
O sol não nasceu. Ele explodiu.
Essa foi a única explicação lógica que meu cérebro, atualmente nadando em uma piscina de formol e arrependimento, conseguiu formular. A luz que filtrava pelas cortinas do meu quarto parecia ter a intensidade de mil supernovas, e havia uma equipe de construção civil operando uma britadeira diretamente atrás dos meus olhos.
Tentei me mover e soltei um gemido que soou patético até para os meus próprios ouvidos. Minha boca tinha o gosto de algo que morreu no deserto, e meu estômago dava cambalhotas, tentando decidir se eu ainda era uma forma de vida baseada em carbono ou apenas um barril de uísque com pernas.
— Blue Label — sussurrei para o teto com a voz rouca. — Traidor caro e delicioso.
Tentei levantar a mão para cobrir os olhos, mas meu braço estava preso.
Parei. Havia um peso sobre o meu braço esquerdo. Um peso quente, macio e cheiroso.
Virei a cabeça devagar no travesseiro, ignorando o protesto das minhas vértebras cervicais.
Elizabeth Winter estava lá.
Ela dormia de bruços, o rosto virado na minha direção, a bochecha amassada contra o meu bíceps. Uma das minhas camisetas cinzas tinha escorregado pelo ombro, revelando a pele pálida e macia. O cabelo escuro estava espalhado por toda parte e fazia cócegas no meu nariz.
A visão dela dormindo ali, tão tranquila, tão minha, foi o analgésico mais eficaz que eu poderia ter pedido.
Lembranças da noite anterior começaram a voltar em flashes desconexos e humilhantes. O jantar. O jardim. A "conferência de cúpula" com Damian. Nós agindo como melhores amigos. A gravata na testa. E então... Lizzy.
Lizzy me resgatando. Lizzy me colocando no carro. Lizzy cuidando de mim.
Um sorriso involuntário, curvou meus lábios. Eu me lembrava de ter dito que não podia beijá-la porque tinha namorada. Eu nunca mais vou beber, álcool me transforma em um idiota.
Levei a mão livre até o rosto dela, traçando a linha do maxilar com a ponta do dedo, leve como uma pluma para não acordá-la.
— Você é um anjo, Winter — sussurrei. — Um anjo mandão e teimoso, mas um anjo.
Ela se mexeu. O nariz franziu e os cílios longos tremularam. Ela soltou um suspiro profundo, abriu os olhos e me mostrou um sorriso divertido.
— Bom dia, Bela Adormecida. Ou devo dizer, "Bêbado Adormecido"?
— Bom dia — respondi, apertando-a.
Ela se espreguiçou, o corpo roçando no meu de uma maneira que, em qualquer outra circunstância, teria me deixado excitado. Hoje, apenas me deixou grato por estar vivo.
— Como está a cabeça? — ela perguntou, apoiando o queixo no meu peito e me olhando com simpatia, e um pouco de escárnio.
— Parece que o Damian está sapateando dentro do meu crânio usando sapatos de chumbo.
— Bem feito. — Ela tocou minha testa. — Vocês dois beberam o suficiente para derrubar um elefante, primeiro o vinho no jantar, depois cerveja e finalizaram com Uísque.
Ri, o que fez minha cabeça latejar.
— Acho que fizemos um pacto de sangue... ou de malte.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!