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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 2

ALEXANDER HAMPTON

A porta do Fox & Maple estava estranhamente silenciosa quando entrei. Larissa estava atrás do balcão, pálida, com os olhos arregalados. Quando me viu, soltou um suspiro de alívio tão profundo que quase a desequilibrou.

— Sr. Hampton — ela sussurrou, saindo de trás do balcão e correndo até mim. — Graças a Deus. Ela está lá. Na mesa quatro.

Olhei na direção indicada.

Sentada na mesa quatro, com a postura rígida de uma rainha ofendida e um copo de água intocado à sua frente, estava uma mulher. Ela era negra, elegante, vestindo um casaco de lã cor de caramelo e segurando uma bolsa de couro que parecia valer mais do que a máquina de expresso.

Ao lado da mesa, de pé, com os braços cruzados e uma expressão de desafio petulante, estava Josh. Um barista que eu tinha contratado há dois meses. Ele era rápido, eficiente, mas tinha uma atitude que eu vinha relevando por causa da falta de pessoal.

Erro meu.

Caminhei até eles, sentindo a raiva substituir a ressaca e a dor da discussão com Lizzy. Problemas profissionais eram mais fáceis. Eram preto no branco.

— Boa tarde — cumprimentei.

A mulher levantou os olhos.

— Você é o dono? — ela perguntou, a voz controlada.

— Sou. Alexander Hampton. — Estendi a mão. — Sinto muito que tenhamos nos conhecido sob... circunstâncias tão lamentáveis.

Ela ignorou minha mão.

— Sr. Hampton — ela disse. — Seu funcionário aqui acabou de me informar que "pessoas como eu" deveriam procurar estabelecimentos "mais adequados ao meu orçamento" quando questionei a demora no meu pedido. E insinuou que eu provavelmente não saberia apreciar a diferença entre um grão arábica e um robusta de qualquer maneira.

Olhei para Josh. Ele não recuou. Pelo contrário, bufou, revirando os olhos.

— Ela estava reclamando de tudo, Alex — Josh se defendeu, com um tom de intimidade que eu não lhe dera. — Eu só disse que se ela não estava feliz, havia um Dunkin' Donuts na esquina. Você sabe como esses clientes são. Sempre querendo confusão para ganhar desconto.

O silêncio que se seguiu foi constrangedor.

Senti o sangue drenar do meu rosto, não de medo, mas de pura indignação. "Esses clientes". A implicação era clara, nojenta e inaceitável.

Virei-me para a mulher.

— Senhora...

— Penélope — ela forneceu. — Penélope Scott. E o meu advogado já está a caminho, Sr. Hampton. Discriminação é uma coisa que eu não tolero, e tenho certeza de que a imprensa local vai adorar saber que o Fox & Maple seleciona seus clientes com base em... critérios ultrapassados.

Respirei fundo.

— Sra. Scott — falei, olhando-a nos olhos. — Eu peço, humildemente, que a senhora me acompanhe até o meu escritório. Por favor.

Ela hesitou, avaliando-me e assentiu.

— Josh — falei, sem olhar para ele. — Fique aqui. Não atenda ninguém. Nem toque em nada.

Guiei Penélope até o escritório nos fundos, longe dos olhares curiosos dos outros clientes. Ofereci a cadeira mais confortável, servi um copo de água fresca e me sentei à frente dela, sem a barreira da mesa.

— Sra. Scott — comecei. — Eu não vou tentar justificar o comportamento do Josh. Não há justificativa. O que ele disse é desprezível, é racista e vai contra tudo o que eu acredito e tudo o que este lugar representa.

Ela cruzou os braços, ainda cética.

— Palavras são baratas, Sr. Hampton.

— Eu sei. — Peguei meu talão de cheques da gaveta. — Eu lamento profundamente que a senhora tenha passado por isso sob o meu teto. Eu falhei em monitorar quem trabalha para mim, e assumo total responsabilidade. Não precisamos ir ao tribunal, Sra. Scott. Eu não quero proteger esse tipo de atitude. — Abri o talão. — O funcionário será demitido. Imediatamente. Sem recomendação ou qualquer direito. E eu farei questão de que isso conste no registro dele. Quanto à senhora... sei que dinheiro não apaga a ofensa. Mas eu gostaria de oferecer uma compensação pelo constrangimento e pelo tempo perdido.

Escrevi o valor. Cem mil dólares.

Era muito dinheiro. Era uma parte considerável do meu lucro anual. Mas era o preço da integridade. Era o preço de mostrar que eu não estava brincando.

Destaquei o cheque e deslizei sobre a mesa.

Penélope olhou para o valor. Seus olhos se arregalaram ligeiramente, e a postura defensiva relaxou um pouco.

— Isso é... bem generoso — ela admitiu, olhando para mim com uma nova curiosidade. — A maioria dos donos tentaria me oferecer um vale-café e desculpas esfarrapadas.

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