ALEXANDER HAMPTON
SEIS MESES DEPOIS...
Havia exatamente seis meses que vivíamos nessa operação clandestina de amor. E hoje, finalmente, estávamos vendo a linha de chegada.
Apertei o nó da minha gravata diante do espelho do closet da Lizzy, observando meu reflexo. Eu parecia calmo. Mas por dentro, meu cérebro estava gritando: Finalmente!
Hoje era o casamento de Damian e Stella. Nunca imaginei que me veria tão ansioso para ver esses dois casados.
Sinceramente, eu ainda não conseguia entender como dois seres humanos que já moravam juntos, tinham filhos e se amavam precisavam de seis meses para organizar uma festa. Se fosse eu... bom, a ideia de pedir Elizabeth Winter em casamento já tinha deixado de ser um "se" para se tornar um "quando" constante na minha cabeça.
E quando esse dia chegasse, e com certeza chegaria, eu não esperaria seis meses. Eu não esperaria nem um mês. Se dependesse da minha impaciência, nós casaríamos na semana seguinte. Talvez em Vegas. Talvez no cartório da esquina. Contanto que ela assinasse o papel e o mundo soubesse que ela era minha, o resto era detalhe.
Olhei para o reflexo de Lizzy atrás de mim.
Ela estava sentada na penteadeira, terminando de colocar os brincos. O vestido era de um tom champanhe suave, um tecido fluido que parecia água escorrendo pelo corpo dela.
E que corpo...
Nesses seis meses, houve algumas mudanças no corpo de Lizzy. Ela estava mais... macia. Não que ela tivesse perdido a forma, pelo contrário. Mas havia curvas novas nela, uma suavidade nos quadris e nas coxas que eu gostava de acreditar que eram minha responsabilidade. Eram os jantares que eu cozinhava e as noites de pizza com a Leah. Ela estava luminosa, saudável e gostosa pra caramba. Aquelas pernas, agora cruzadas enquanto ela se inclinava para o espelho, eram a minha perdição diária.
— Você está encarando, Hampton — ela falou, encontrando meu olhar pelo espelho.
— Estou te admirando. É diferente.
— Diferente bom ou diferente ruim?
— Diferente do tipo "estou considerando trancar a porta e fazer com que nos atrasemos para o casamento do seu irmão".
Ela riu, aquele som que tinha se tornado a trilha sonora dos meus dias.
— Tente. E a Stella te caça com um rifle de precisão.
— É um risco que estou disposto a correr.
Ela se levantou e caminhou até mim. A cada passo, o tecido do vestido oscilava. Ela segurava dois colares delicados de diamante nas mãos.
— Preciso de ajuda, amor — Lizzy parou na minha frente e levantou as joias. — Prefere esse ou esse?
Olhei para as duas correntes. Pareciam idênticas. Diamantes pequenos, correntes finas de ouro branco. Para um olho destreinado como o meu, era a mesma peça duplicada. Mas eu sabia que para Lizzy, havia uma diferença monumental de corte, quilates ou designer. Então o melhor é inventar a resposta.
— Hum... — Fiz minha melhor cara de avaliador de joias. — O da esquerda. Definitivamente. Combina mais com o decote.
Lizzy sorriu, satisfeita.
— Sabia que você tinha bom gosto. Era o meu favorito também.
Ela se virou, afastando o cabelo que estava maior e ondulado das costas para que eu pudesse fechar o fecho.
— Sabe... — ela começou, enquanto eu lutava com o fecho minúsculo. — Estive olhando passagens ontem à noite.
Suspirei, já sabendo o que viria.
— Lizzy...
— Tem uma promoção incrível para a Tailândia em dezembro. — Ela continuou, ignorando meu suspiro. — E de lá podemos pegar um trem para o Camboja. Mochilão, Alex. Templos, florestas, comida de rua.
— Você odeia mosquitos — lembrei, beijando o ombro dela. — E você odeia banheiros compartilhados.
— Eu compro repelente. E podemos ficar em pousadas charmosas, não precisam ser albergues com vinte pessoas no quarto. Mas pense na aventura! Você precisa sair dessa bolha de conforto, Sr. Hampton. O mundo é grande.
— Eu gosto da minha bolha. Minha bolha tem ar condicionado e lençóis de 800 fios.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!