ALEXANDER HAMPTON
Descemos juntos no elevador, mas o momento de intimidade teve que ser guardado na gaveta dos segredos assim que as portas de metal se abriram na garagem.
A realidade voltou.
O plano era simples: depois do casamento de hoje, Damian e Stella partiriam para a lua de mel. Duas semanas. Assim que eles voltassem, faríamos um jantar e contaríamos para a família dela. Acabaria a farsa. Acabariam os carros separados.
Mas, por hoje, ainda tínhamos que manter o teatro.
Lizzy caminhou até seu sedã preto e eu caminhei até o meu SUV, estacionado duas vagas adiante.
Parecia ridículo. Tínhamos acordado na mesma cama, tomado banho no mesmo chuveiro, escolhido as roupas um do outro com chantagem sexual envolvida, e agora tínhamos que fingir que estávamos apenas "nos encontrando lá".
Lizzy parou antes de entrar no carro e correu até mim.
Segurei a cintura dela antes mesmo que ela chegasse, puxando-a para um beijo rápido, mas faminto.
— Te vejo no altar — ela sussurrou contra meus lábios. — Tente não chorar quando a Stella entrar.
— Pode deixar. — Sorri. — Te vejo lá. Guarde uma dança para mim.
— Todas elas, Alex. Todas elas.
Ela se soltou, correu de volta para o carro dela e entrou.
Entrei no meu carro, liguei o motor e esperei ela sair primeiro.
Enquanto a via se afastar, pensei no futuro. Pensei nos gêmeos, que estariam correndo pelo jardim hoje e provavelmente sujando os ternos em cinco minutos. Pensei em Leah, que estava de férias por duas semanas e jurou que seu único plano era entrar em um coma induzido de sono e pizza, mas que hoje estaria lá, chorando e gritando. Pensei em Damian e Stella, finalmente tendo seu sonho realizado.
E olhei para a gravata verde no espelho retrovisor.
Sorri.
A viagem para a Tailândia? Talvez. O casamento? Com certeza. O futuro? Era verde. Verde como o sinal aberto para a nossa vida começar de verdade.
Acelerei o carro, seguindo-a à distância, pronto para o último ato do nosso segredo.
[...]
— Pai, a minha gravata está me enforcando! — Danian reclamou, puxando a gravata borboleta.
— Fique parado, garoto. — William Winter disse pacientemente, suas mãos grandes tentavam ajeitar o acessório minúsculo.
Apollo e Orion, meus eternos filhos de coração, já estavam perfeitamente vestidos em seus terninhos cinza.
— Por que a mamãe está demorando tanto? — Apollo perguntou. — O bolo pode derreter.
Ri, afastando-me da janela e caminhando até ele para ajeitar a lapela do paletó que já estava torta.
— O bolo não vai derreter. E as noivas sempre demoram. É a lei.
Ajoelhei-me na frente de Orion, que lutava com o último botão do seu paletó.
— Deixa eu te ajudar, garotão. — Falei, fechando o botão com destreza. — Pronto. Muito elegante.
Levantei-me e meu olhar cruzou com o de Damian.
— Nervoso, Winter?
— Não mais. — ele respondeu.
Assenti.
William finalmente conseguiu domar a gravata de Danian, que saiu correndo para se juntar aos irmãos. Ele se aproximou de Damian, pegou a gravata que Damian havia deixado desamarrada e começou a dar o nó.
— Sua mãe está lá em cima, chorando e rindo ao mesmo tempo. Estou orgulhoso do homem que você se tornou, Damian. Do pai que você é. E do marido que você será. Então, não estrague tudo.
— Não vou.
Quando William terminou o nó perfeito, ele colocou as mãos nos ombros de Damian, olhando-o sério.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!