ALEXANDER HAMPTON
Eu podia ouvir o som do relógio no corredor. Tique. Taque.
Olhei ao redor da mesa. As reações foram um estudo fascinante sobre a psicologia humana.
Damian, que já sabia do namoro, mas não do noivado teve um engasgo com a água, mas vi o canto da boca dele tremer em um sorriso contido. Leah não esboçou reação.
Mas foram os outros que congelaram o tempo.
Elaine Winter estava com o garfo paralisado a meio caminho da boca. Ela olhava para Lizzy, depois para mim, depois para Lizzy de novo. Seu cérebro parecia estar reiniciando o sistema operacional.
— Noivos?! — A palavra saiu da boca dela num guincho agudo.
Ela se virou lentamente para William, que estava com as sobrancelhas tão levantadas que quase tocavam a linha do cabelo.
— Querido... — Elaine disse, baixando o tom de voz. — Nossa Lizzy disse que está noiva. "Noiva" ainda tem o mesmo significado no dicionário, não é? Noiva quer dizer... casar? Quer dizer vestido branco e igreja?
William pigarreou, recuperando a compostura, embora seus olhos ainda estivessem fixos em mim com uma nova avaliação.
— Creio que sim, querida. Creio que nossa filha está dizendo que vai se casar com o Sr. Hampton.
— Oh. — Elaine colocou a mão no peito. — Oh, meu Deus. Um casamento. Outro casamento. Lizzy vai casar!
Ela parecia prestes a desmaiar de alegria ou de choque, não tenho certeza.
Mas minha atenção foi atraída para o outro lado da mesa. Para Stella.
Stella não estava sorrindo. O brilho no seu olhar tinha desaparecido, substituído por uma confusão que rapidamente se transformou em mágoa. Ela olhava para as nossas mãos entrelaçadas como se fossem uma cobra venenosa.
Ela olhou para mim. Depois, ela olhou para Leah. Leah, que não parecia surpresa o bastante para afirmar que era a primeira vez que ouvia isso.
Os olhos de Stella se estreitaram. A doçura da evaporou, dando lugar à mulher feroz.
— Alex. — Ela disse meu nome com uma calma terrível.
— Stella... — comecei.
Ela se levantou abruptamente. A cadeira arranhou o chão com um som estridente.
— Vocês dois. — Ela apontou para mim e depois para Leah. — Lá fora. Agora.
— Stella, calma... — Damian tentou intervir, colocando a mão no braço dela.
— Não se meta, Damian. — Ela nem olhou para ele. Seus olhos estavam fixos em mim, cheios de traição. — Quero falar com o meu "melhor amigo" e com a minha " quase irmã". Agora.
Lizzy apertou minha mão com força.
— Stella, não fique brava com eles. A culpa é minha, eu...
— Amor, está tudo bem. — Interrompi, apertando a mão dela de volta. Sorri para tranquilizá-la. — Eu cuido disso.
Beijei a testa de Lizzy, soltei a mão dela e fiz um sinal para Leah. Leah engoliu em seco, levantou-se com a cabeça baixa e me seguiu.
Saímos para a varanda dos fundos. A noite estava fria, mas a temperatura entre nós estava abaixo de zero.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!