LEAH HAMPTON
O corredor parecia diferente quando saí do escritório.
Talvez fosse o fato de que, cinco minutos atrás, eu era uma funcionária com medo de demissão e agora eu era a Chefe de Cirurgia.
Eu tinha poder. Eu tinha o dobro do salário. E, segundo Markus, o triplo de dor de cabeça.
Caminhei em direção aos elevadores, tentando manter uma expressão neutra, mas por dentro eu estava gritando: "Eu sou a Chefe! Eu sou a Chefe!".
As portas do elevador se abriram no andar do Trauma. Era aqui que eu pertencia.
Assim que pisei no corredor, fui interceptada.
— E aí? — Cinthia, a residente de pediatria que tinha me ajudado na toracotomia, surgiu do nada, roendo a unha do polegar. Ao lado dela estava Ben, um residente de cirurgia geral que parecia prestes a ter um ataque de pânico.
— Ele te demitiu? — Ben perguntou. — Ouvimos dizer que o Torres foi escoltado pela segurança. E a enfermeira-chefe do quarto andar também rodou. Estamos ferrados, não estamos?
— Calma, Ben. — Cinthia deu um tapa no ombro dele. — Por que ele demitiria a Dra. Hampton? Ela é a única pessoa neste lugar que trabalha de verdade.
— É, mas quem sabe o que pode acontecer. — Ben sussurrou, como se as paredes tivessem ouvidos. — E dizem que ele é um carrasco. Estão chamando ele de "O Ceifador" no grupo dos residentes. Dizem que ele vai limpar todo mundo que foi contratado na gestão anterior. Talvez nós sejamos os próximos!
Parei e me virei para eles.
— Vocês dois podem parar com essa histeria agora mesmo? — Eles calaram a boca imediatamente. — Ninguém vai ser o próximo, a menos que cometa negligência. O Sr. Blackwood não é um carrasco. Ele é exigente. E se vocês fizerem o trabalho de vocês direito, não têm nada a temer.
— Então você ficou? — Cinthia perguntou, esperançosa.
— Eu fiquei. — Sorri, um sorriso pequeno e secreto. — Agora, parem de fofocar e voltem ao trabalho. Ben, verifique os pós-operatórios da ala 3. Cinthia, você tem um paciente na emergência pediátrica esperando sutura.
— Sim, Doutora! — Eles responderam em uníssono.
— Ah, Dra. Hampton! — Cinthia parou antes de correr. — Esqueci de avisar. O paciente de domingo... o torácico. Caio Mendes. Ele acordou. Foi extubado hoje cedo e transferiram ele da UTI para o quarto 302. Ele estava perguntando pela senhora.
— Obrigada, Cinthia. Vou vê-lo agora.
Peguei a prancheta no balcão das enfermeiras e caminhei até o quarto 302.
A porta estava entreaberta.
Bati levemente e entrei.
Caio estava deitado na cama, pálido, com tubos de drenagem saindo da lateral do tórax e monitores ligados ao braço, mas estava acordado.
Sentada na poltrona ao lado, segurando a mão dele, estava uma mulher jovem. Provavelmente a esposa. Ela tinha os olhos inchados de chorar, mas quando me viu entrar, se levantou num pulo.
— Bom dia. — cumprimentei, entrando no quarto. — Desculpe incomodar. Sou a Dra. Hampton.
Caio virou a cabeça devagar. Quando seus olhos encontraram os meus, ele tentou sorrir, mas fez uma careta de dor.
— Dra... Hampton...
— Não force a voz, Caio. — Aproximei-me da cama, checando os sinais vitais no monitor. Pressão estável. Saturação 98%. Ritmo cardíaco regular. — Você passou por um trauma imenso. Seu corpo precisa de tempo. Tem algo te incomodando? Dor? Falta de ar?
Ele balançou a cabeça negativamente, devagar.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!