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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 3

LEAH HAMPTON

VINTE MINUTOS ANTES...

O sol da manhã entrava pelas janelas da enfermaria da Ala de Trauma, pintando o chão de linóleo branco com quadrados de luz dourada. Era o tipo de manhã que fazia você acreditar que a medicina era a profissão mais nobre do mundo. O que, em minha humilde opinião, era.

— Então é isso, campeão. — Sorri, assinando a última linha do receituário. — Você está livre de mim.

Jonas, um rapaz de 22 anos que tinha chegado há três dias com lacerações múltiplas depois de cair de uma moto, sorriu de volta. Ele já estava sentado na beirada da cama, vestindo uma camiseta do New York Knicks e segurando uma mochila.

— Sério, Dra. Hampton? Sem mais agulhas?

— Sem mais agulhas. — Destaquei a folha e entreguei para ele. — Apenas antibióticos orais e repouso. Nada de motos por pelo menos seis meses, ou eu mesma vou quebrar sua outra perna.

A namorada dele, uma garota ruiva que não tinha saído do lado dele desde a admissão, riu e apertou a mão dele.

— Pode deixar, Doutora. Eu vou esconder a chave da moto.

— Ótimo. — Virei-me para a enfermeira Brenda, que estava com o carrinho de medicação ao lado. — Brenda, só falta a última dose do complexo vitamínico endovenoso para fortalecer antes de tirar o acesso, certo?

— Sim, Dra. Hampton. — Brenda, eficiente como sempre, já estava com a seringa pronta. — Vitamina B e C, protocolo de alta padrão.

— Manda ver. Depois tire o acesso e ele estará livre.

Afastei-me da cama para dar espaço. Caminhei até o posto de enfermagem central. Três altas numa manhã. Jonas no leito 4, a Sra. Miller no leito 8, por uma queda de escada que resultou apenas em contusões e o Sr. Takagi no leito 12 com um corte profundo no braço já suturado e cicatrizado.

— Dra. Hampton? — Dr. Peterson, um dos meus novos cirurgiões assistentes, se aproximou com duas pranchetas. — A senhora poderia revisar a sutura da Sra. Miller antes dela sair? Ela diz que está sentindo uma coceira estranha.

— Deve ser a cicatrização, mas eu olho. — Peguei a prancheta. — Vamos lá.

Demos três passos em direção ao leito 8.

Foi quando o som começou.

Primeiro, um engasgo. Alto, úmido e horrível.

Girei nos calcanhares.

No leito 4, Jonas não estava mais sorrindo. Ele estava arqueado para trás na cama, as costas curvadas num ângulo antinatural. Os olhos estavam revirados, mostrando apenas o branco. Espuma rosada borbulhava nos cantos da boca dele.

A namorada gritava. Um grito agudo que rasgou a paz da manhã.

— Jonas! Jonas!

— Código Azul! Leito 4! — Gritei, largando a prancheta no chão e correndo.

Cheguei ao lado da cama em segundos. Brenda estava paralisada, com a seringa vazia ainda na mão.

— Abaixem a cabeceira! — Ordenei, empurrando a namorada para o lado com mais força do que o educado. — Peterson, traga o carro de parada!

Jonas começou a convulsionar violentamente.

— Segurem ele! — Gritei para Brenda.

Tentei encontrar o pulso carotídeo. Nada. Apenas tremores musculares violentos.

— Ele está em FV! — Olhei para o monitor. O traçado era uma confusão de ondas irregulares. — Desfibrilador! Carga 200 joules!

Peterson chegou derrapando com o carrinho. Puxei as pás.

— Afastem-se! Choque!

O corpo de Jonas saltou na cama. O cheiro de ozônio se misturou ao cheiro de urina, ele tinha relaxado os esfíncteres.

Olhei para o monitor. Linha reta. Assistolia.

— Merda! — Joguei as pás no carrinho. — Massagem! Brenda, assume a massagem! Peterson, intubação! 1mg de adrenalina, agora!

Subi no banquinho e assumi as compressões torácicas enquanto Brenda preparava as drogas.

Um, dois, três, quatro...

As costelas dele estalaram sob minhas mãos. Eu bombeava com força, tentando forçar o coração jovem a bater.

— Vamos, garoto, não faz isso comigo... você ia para casa...

— Dra. Hampton! — Uma voz gritou do outro lado da sala.

Não parei a massagem.

— O que é?! Estou ocupada!

— Leito 8! A Sra. Miller! Ela... ela parou!

Olhei por cima do ombro, sem parar as compressões.

No leito 8, a senhora idosa que estava reclamando de coceira estava tendo a mesma convulsão arqueada que Jonas teve. O monitor dela começou a apitar o alarme estridente de parada cardíaca.

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