LEAH HAMPTON
Subimos em silêncio no elevador privativo.
Quando entramos no escritório dele, a secretária não estava na mesa.
Markus trancou a porta, tirou o paletó e o jogou sobre uma das poltronas, depois desfez o nó da gravata e abriu o primeiro botão da camisa. Foi um gesto tão casual, que me peguei observando a linha do pescoço dele.
— Sente-se onde quiser. — Ele disse, caminhando até um aparador de madeira no canto da sala.
Havia uma máquina de café expresso e uma seleção de chás importados. Observei-o preparar as xícaras. Ele não chamou ninguém para fazer isso. Ele mesmo pegou a água, selecionou os sachês e esperou o tempo de infusão.
As mãos dele. Eram mãos grandes, fortes, mas moviam-se com uma delicadeza impressionante.
Olhei para as janelas onde a vista de Manhattan estava esplêndida. O trânsito fluía lá embaixo, minúsculo e irrelevante. Milhões de pessoas vivendo suas vidas, sem saber que cinco pararam abruptamente neste prédio hoje.
— Aqui.
Virei a cabeça. Markus estava ao meu lado. Ele me estendeu uma xícara fumegante.
— Sem açúcar, certo?
— Certo. — Aceitei a xícara, sentindo o calor se espalhar pelas minhas palmas geladas. — Obrigada.
Ele não voltou para a cadeira dele. Em vez disso, ele recostou-se na borda da mesa, cruzando os tornozelos.
Eu fiz o mesmo. Encostei-me na mesa, ao lado dele.
Ficamos ali, ombro a ombro, olhando para a cidade.
Bebi um gole do chá. Estava perfeito. Quente o suficiente para confortar, não para queimar.
— Nunca imaginei que veria algo assim acontecer. — Murmurei, olhando para o horizonte.
— Ninguém imagina. — A voz dele era um retumbar suave ao meu lado. — Mas você lidou com isso melhor do que imagina. — Ele soltou uma risada baixa. — Aquele chute foi perfeito, a propósito. Anatomia aplicada na prática.
Dei um sorriso fraco, olhando para o chá.
— Eu perdi a cabeça. Não foi profissional.
— Aquele homem merecia muito mais do que um chute.
Ele girou o corpo ligeiramente, ficando mais virado para mim. Senti o olhar dele no meu perfil.
— Sinto muito, Leah. — A seriedade na voz dele me fez virar para encará-lo. — Eu devia ter percebido a falha no sistema. Eu devia ter protegido sua equipe.
— Ei. — Virei-me totalmente, ficando de frente para ele, apoiando o quadril na mesa. — Pare com isso. Você não é onipotente, lembra? Você disse isso para mim. Serve para você também.
Nossos olhos se encontraram. O cinza dos olhos dele estava mais escuro agora.
Ele estava perto. Perto demais para um chefe e uma subordinada. Perto o suficiente para eu ver os cílios longos dele e a textura da pele onde a barba começava a crescer.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!