MARKUS BLACKWOOD
Apaguei a luz do quarto dele e fechei a porta, deixando uma fresta para a luz do corredor entrar.
Assim que me afastei da porta, meu passo acelerou. Entrei no meu quarto e tranquei a porta. Finalmente.
Tirei o paletó, a gravata e a camisa. As roupas cheiravam ao hospital. Cheiravam ao escritório.
Entrei no banheiro, liguei o chuveiro na temperatura máxima e entrei no box de vidro.
A água quente atingiu minhas costas, relaxando os músculos tensos dos ombros. Apoiei as duas mãos nos azulejos frios, baixando a cabeça, deixando a água escorrer pelo meu pescoço e pelo meu peito, lavando o dia.
Fechei os olhos e a imagem dela veio, nítida e em alta definição.
Leah.
A Leah no meu escritório. O jeito que a luz do sol bateu no cabelo dela, destacando os fios dourados no meio do castanho. As sardas no nariz. A boca entreaberta, úmida, esperando.
Senti o sangue descer. Foi uma reação instantânea. Meu pau endureceu em segundos, pulsando contra a minha coxa, pesado e exigente.
— Merda. — Rosnei, frustrado. — Pare com isso.
Tentei pensar em planilhas. Em orçamentos. Até na cara do Paulo Torres.
Não adiantou.
As imagens continuavam mudando. Imaginei a mão dela. Não segurando uma xícara de chá, mas segurando a mim. Imaginei aqueles dedos ágeis de cirurgiã, que sabiam exatamente onde pressionar para parar um sangramento, sabendo onde tocar para causar prazer.
Gemi baixo, colando a testa na parede úmida. Minha mão desceu, movida por uma necessidade que abandonava a razão.
Envolvi meu pau. O toque foi firme e rápido. Eu não queria carinho. Eu queria alívio. Eu queria exorcizar tudo com um orgasmo.
Comecei a me masturbar, o ritmo das batidas casando com o som da água caindo.
Na minha mente, eu não estava no chuveiro. Eu estava na mesa do meu escritório. Eu tinha empurrado as xícaras de chá para o chão, quebrando a porcelana. Tinha levantado Leah pela cintura e a colocado sentada na borda da mesa.
As pernas dela ao redor da minha cintura... O jaleco aberto...
— Ah, Leah... — Sussurrei o nome dela, minha voz rouca abafada pelo vapor.
Imaginei beijá-la. Não seria um beijo doce, mas sim um beijo faminto. Morder o lábio inferior dela, sentir o gosto dela, invadir a boca dela com a minha língua enquanto minha mão subia pela coxa dela, por dentro daquela calça, para dentro de sua calcinha.
O prazer escalou rápido. Era um acúmulo de dias, de meses de abstinência, focado num único ponto de obsessão.
Aumentei a velocidade. O atrito do sabonete e da água, a imagem dos olhos dela escurecendo de desejo, a voz gemendo... a fúria dela que me excitava tanto quanto a beleza.
— Porra...
Arqueei as costas, pressionando o quadril contra a mão. Imaginando entrar nela. Fundo. Forte. Fazê-la esquecer tudo e gritar meu nome não como chefe, mas como homem.
O orgasmo veio e trinquei os dentes, segurando um gemido mais alto, enquanto os jatos de esperma se misturavam com a água no chão do box. Minhas pernas tremeram. A respiração saiu em arfadas curtas e dolorosas.
Fiquei ali por mais um minuto, com a testa apoiada na parede, esperando o coração desacelerar. O prazer foi intenso, mas breve, deixando para trás uma culpa residual e uma clareza mental perigosa: Eu a quero.
Não era só admiração profissional. Eu a queria na minha cama, na minha vida, de todas as formas possíveis.
Desliguei o chuveiro.
Peguei a toalha e me sequei com movimentos bruscos, irritado comigo mesmo. Enrolei a toalha na cintura e saí do banheiro, ainda com a pele fumegando.
— Papai?
Dei um pulo, meu coração disparou novamente, mas de susto.
Mark estava sentado no meio da minha cama. Ele parecia minúsculo no meio do edredom cinza escuro.
Segurei a toalha com força.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!