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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 3

LEAH HAMPTON

O cheiro de alho queimado era, sem dúvida, o pior aroma do mundo, perdendo apenas para tecido necrosado.

— Merda! — Praguejei, afastando a frigideira do fogo com um movimento brusco.

Minha cozinha, geralmente imaculada pelo simples fato de eu nunca usá-la, estava uma zona. Havia cascas de cebola no chão, farinha espalhada sobre o balcão de granito preto e três panelas sujas na pia.

Eu tinha decidido cozinhar.

Era uma terapia. Depois de um dia lidando com morte, polícia e a destruição de famílias, eu precisava criar algo. Precisava ver ingredientes brutos se transformarem em algo nutritivo e bom.

O plano era um risoto de cogumelos selvagens. A realidade estava sendo uma gororoba empapada com fundo queimado.

O celular, jogado perigosamente perto da tábua de cortar legumes, vibrou e começou a tocar, deslizando sobre a superfície de pedra.

Limpei as mãos num pano de prato já imundo e olhei para a tela.

Número Desconhecido.

Franzi a testa.

— Quem diabos... — Murmurei. Poderia ser o hospital. Um número interno que eu não tinha salvo.

Atendi.

— Alô?

Silêncio. Apenas um chiado estático do outro lado.

— Alô? Quem fala? — Insisti, segurando o telefone com o ombro enquanto tentava raspar o fundo da panela com uma colher de pau.

Nenhum som. Nem respiração.

— Olha, eu não tenho tempo para brincadeiras.

Desliguei e joguei o aparelho de volta no balcão.

— Idiotas. — Resmunguei.

Voltei para o fogão. O arroz estava perdido. Eu teria que começar de novo ou desistir e comer cereal. Mas eu sou uma Hampton e sou cirurgiã de trauma. Eu não desisto. Tenho que improvisar

Peguei uma nova cebola e a faca do chef. Comecei a picar com violência. Cada corte era uma liberação de raiva. Um corte para o Paulo Torres. Um corte para a burocracia. Um corte para a sensação estúpida que eu tive quando Markus quase me beijou.

O celular tocou de novo.

Parei a faca no ar. Olhei para a tela. Número Desconhecido.

— Não vou atender. — Decidi.

Voltei a cortar. A cebola estava fazendo meus olhos arderem.

Respirei fundo, jogando a cebola na manteiga derretida. O chiado da fritura foi satisfatório.

Trinta segundos depois. De novo. O mesmo número.

A raiva subiu pela minha espinha como mercúrio num termômetro. Era tarde, eu estava exausta e emocionalmente destruída. E algum engraçadinho estava testando minha paciência.

Minhas mãos estavam sujas de manteiga e suco de cebola. Não ia pegar o aparelho.

Estiquei o indicador, deslizei o ícone verde e apertei o botão do viva-voz.

— Escuta aqui, seu engraçadinho desocupado! — Gritei para o telefone, sem nem chegar perto. — Eu não sei quem você é, mas eu espero que você tenha um plano de saúde muito bom, porque se você ligar para este número mais uma vez, eu vou rastrear sua localização!

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