LEAH HAMPTON
A manhã seguinte chegou com a sutileza de um desfibrilador no nível máximo.
Abri os olhos com o som do despertador e, por um microssegundo, tudo parecia normal. Então, a memória da noite anterior caiu sobre mim como uma bigorna.
Eu tinha um encontro com Markus Blackwood.
Enterrei o rosto no travesseiro e soltei um grito abafado que era 50% pânico e 50% uma euforia que eu não sentia desde a faculdade.
Levantei-me, forcei meu cérebro a entrar no "modo trabalho" e fui para o hospital. O trabalho, felizmente, era um antídoto eficaz contra o romance. Quando você tem três politraumas chegando de um engavetamento na ponte George Washington, não sobra muito espaço mental para analisar o tom de voz do seu chefe ao telefone.
Mas, inevitavelmente, nossos caminhos se cruzaram.
Foi por volta das 14h, no corredor que ligava a Administração ao Centro Cirúrgico. Eu estava discutindo a escala de plantão com o Dr. Morris que ainda me olhava torto, mas obedecia, quando as portas duplas se abriram.
Markus vinha na direção oposta, cercado por dois advogados e o Dr. Vance.
Meu coração, traidor, deu um salto acrobático no peito.
Ele me viu.
Por um segundo, o passo dele vacilou. O olhar dele desceu para a minha boca e voltou para os meus olhos com uma velocidade surpreendente.
Endireitei a postura, apertando a prancheta contra o peito como um escudo.
— Boa tarde, Sr. Blackwood.
Ele diminuiu o ritmo ao passar por mim.
— Dra. Hampton. — Ele assentiu. — Bom trabalho com a triagem da manhã.
— Obrigada, senhor.
E foi isso.
Os advogados continuaram falando, o Dr. Vance continuou suando, e eu fiquei parada ali, sentindo minhas pernas tremerem.
Os dias seguintes se arrastaram. Até que, finalmente o domingo chegou.
Acordei às 09:00, o que para mim era praticamente meio-dia. O sol entrava pelas janelas do meu apartamento, mas o céu lá fora estava azul pálido e frio.
Tomei um banho longo, esfoliando a pele, lavei o cabelo com os produtos caros que eu guardava para ocasiões especiais e passei uma hora inteira encarando meu closet.
— O que se veste para almoçar com o seu chefe que também é o homem que você quer beijar desesperadamente? — Perguntei em voz alta para as minhas roupas.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!