MARKUS BLACKWOOD
DUAS HORAS ANTES...
O relógio na parede da cozinha marcava 11:00.
Eu estava pronto. Banho tomado, barbeado, vestido com uma roupa que demorei vinte minutos para escolher.
Mark estava na sala, montando um quebra-cabeça no chão.
Peguei o celular para ligar para a babá, Vanessa. Ela deveria chegar em quinze minutos.
Disquei o número.
— Alô? — A voz atendeu no terceiro toque, com um fundo barulhento de trânsito ou... vento?
— Vanessa? Aqui é o Sr. Blackwood. Estou ligando para confirmar sua chegada. O porteiro ainda não anunciou você.
Houve uma pausa do outro lado. Um silêncio constrangedor.
— Sr. Blackwood? Mas... hoje é domingo.
— Sim, eu sei que dia é hoje, Vanessa. Você está escalada para o turno de domingo. Das 11h às 18h.
— Não, senhor... A Sra. Higgins me disse na sexta-feira que o senhor não precisaria de mim hoje. Que era sua folga e que o senhor ficaria com o menino.
Senti o sangue gelar nas veias.
— O quê? Eu nunca disse isso.
— Ai, meu Deus. Ela deve ter confundido os recados. Senhor, me desculpe, mas eu não estou na cidade. Eu vim visitar minha filha em Jersey.
Fechei os olhos, passando a mão pelo rosto com força. A Sra. Higgins. Aquela mulher eficiente e maravilhosa tinha cometido o único erro em dez anos de serviço justamente hoje. Ela deve ter assumido que, por ser domingo eu exerceria a paternidade em tempo integral.
— Você não consegue voltar? — Perguntei, sabendo a resposta, mas desesperado. — Eu pago o triplo. Pago o táxi, o Uber, até um helicóptero se precisar.
— Sinto muito, Sr. Blackwood. Mesmo se eu sair agora, só chego aí às duas da tarde. O trânsito na ponte está parado.
— Certo. Entendi. — Minha voz saiu seca. — Obrigado, Vanessa.
Desliguei.
Olhei para Mark na sala. Ele encaixou uma peça do quebra-cabeça e bateu palmas para si mesmo.
— Merda. — Sussurrei.
Eu tinha um encontro com a mulher que ultimamente ocupava 90% dos meus pensamentos acordado e 100% dos meus sonhos.
Cancelar?
Dizer "desculpe, Leah, surgiu um imprevisto"? De jeito nenhum! Esperei a semana inteira por isso.
Levar Mark? Péssima ideia. "Oi, vamos almoçar? Ah, a propósito, este é o filho que nunca mencionei que tenho."
Liguei para a Sra. Higgins.
— Residência dos Higgins.
— Higgins. Sou eu.
— Sr. Blackwood? Aconteceu alguma coisa?
— Houve uma confusão com a Vanessa. Ela achou que estava de folga. Eu tenho um compromisso inadiável ao meio-dia.
— Eu sinto muito pela confusão. A culpa foi minha, eu realmente achei que o senhor queria um tempo pai e filho. O problema é que... eu estou com meus netos hoje.
— Traga eles para cá! — Ofereci. — O apartamento é grande.
— Impossível, senhor. Estamos fazendo churrasco no quintal, é uma bagunça...
— Higgins, por favor. — Implorei. Eu, Markus Blackwood, implorando. — Eu pago um bônus. Um bônus gordo. Eu só preciso de três horas.
Houve um silêncio. Ela estava ponderando.
— Tudo bem. Mas o senhor tem que trazê-lo aqui. Eu não posso sair agora com o assado no fogo e as crianças correndo.
Senti um alívio tão grande que quase caí.
— Feito. Você é uma santa, Higgins.
Desliguei e fui para a sala.
— Mark! — Chamei, batendo palmas uma vez para chamar a atenção dele. — Vamos sair.
— A gente vai no parque?
— Não. Vamos na casa da Sra. Higgins. Você vai conhecer os netos dela. Vai ter churrasco.
— Churrasco? — Os olhos dele brilharam. — Tem cachorro-quente?
— Provavelmente. Agora, levanta. Você não pode ir de pijama.
Corri para o quarto dele. Abri o armário.
Eu nunca tinha vestido ele para sair.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!