LEAH HAMPTON
— Markus. — Minha voz mudou, ficando fria e alerta. — A TV.
Ele se virou, seguindo meu olhar.
— O que foi?
Ele caminhou até a mesa e pegou o controle remoto, aumentando o volume.
A voz da âncora do telejornal preencheu o escritório.
“...confirmamos agora há pouco com a direção da penitenciária estadual. Paulo Torres, ex-chefe de cirurgia do Hospital Manhattan Grace, acusado de múltiplos homicídios e adulteração de medicamentos, foi morto no início desta tarde durante uma rebelião no pavilhão B.”
— Morto? — Sussurrei.
Markus permaneceu imóvel, os olhos fixos na tela.
“Segundo fontes oficiais, Torres foi encurralado por outros detentos no pátio. Ele sofreu ferimentos múltiplos e fatais antes que os guardas conseguissem intervir. Ele foi declarado morto na enfermaria da prisão às 13:45.”
A imagem na tela mudou. Agora mostrava uma casa simples no subúrbio. Repórteres cercavam uma mulher de meia-idade. Reconheci-a imediatamente. Era a mãe de Jonas, o garoto de 22 anos que morreu na minha frente.
Ela segurava um lenço, os olhos ainda inchados, mas havia uma esperança nova na expressão dela.
“Senhora Alves, qual a sua reação à notícia da morte de Paulo Torres?” — O repórter perguntou, empurrando o microfone.
Ela olhou diretamente para a câmera.
“Não vou dizer que estou feliz. A morte de ninguém traz meu filho de volta. Mas... eu sinto paz. A justiça dos homens é lenta, mas a justiça divina, ou a justiça das ruas, às vezes não falha. Ele pagou. Agora ele não machuca mais ninguém. Meu filho pode descansar, e nós também.”
A câmera cortou para o marido da Sra. Miller. Ele estava na varanda de casa, segurando uma foto da esposa.
“Acabou.” — Ele disse, simplesmente. “O assassino se foi. Agora podemos chorar em paz.”
Markus desligou a TV.
O silêncio voltou ao escritório, mas era diferente agora. Não era o silêncio da tensão sexual de antes. Era um silêncio pesado. Um ponto final numa frase que tinha sido dolorosa demais para escrever.
Olhei para Markus. Ele estava olhando para a tela preta.
— Acabou. — Ele repetiu as palavras do viúvo.
Caminhei até ele e coloquei a mão no seu braço.
— Você está bem?
Markus suspirou profundamente, como se estivesse soltando um peso de cem quilos que carregava nas costas desde aquela manhã terrível. Ele se virou para mim. O olhar dele não tinha alegria, mas tinha alívio.
— Eu não queria que ele morresse. — Markus disse, honesto. — Eu queria que ele apodrecesse numa cela por cinquenta anos. Mas...
— Mas ele não vai mais machucar ninguém. — Completei. — E as famílias... sentem que houve justiça. Isso é o que importa.
— É. — Ele cobriu minha mão com a dele. — O momento mais sombrio do Manhattan Grace está encerrado, Leah.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!