MARKUS BLACKWOOD
— Vai, pai! Usa o raio! Usa o raio! — Mark gritava, pulando no sofá.
Eu segurava o controle do videogame e meus dedos, treinados para realizar suturas microscópicas em artérias coronárias, pareciam incapazes de fazer um encanador bigodudo fazer uma curva fechada sem cair num abismo de lava.
— Eu estou tentando, Mark. — Resmunguei, inclinando o corpo para a direita como se isso fosse ajudar o personagem na tela. — Mas esse macaco no carro conversível está trapaceando.
— É o Donkey Kong! — Mark riu, uma risada genuína e desinibida que encheu a sala. — Ele é forte, mas você é mais rápido se pegar a estrela!
Tentei pegar a tal estrela. Errei por milímetros e bati numa bananeira, girando na pista.
— Ah, não! — Mark cobriu os olhos com as mãos, dramatizando a minha derrota. — Último lugar de novo, pai!
Larguei o controle no sofá, fingindo exaustão.
— Eu desisto. Não nasci para ser piloto de corrida de karts mágicos.
Mark largou o controle dele que tinha chegado em primeiro, obviamente, e engatinhou pelo sofá até chegar perto de mim. Ele estava de pijama, o cabelo úmido do banho, cheirando a xampu de camomila.
— Você precisa treinar mais. — Ele disse, com a sabedoria solene de uma criança de quatro anos. — Eu posso te ensinar amanhã.
— Combinado. — Baguncei o cabelo dele. — Amanhã você me ensina seus truques.
Eu tinha dispensado a babá mais cedo, decidido a tentar essa coisa de "paternidade ativa". E, surpreendentemente, não tinha sido um desastre total. Pedimos pizza, ignoramos a hora de dormir e jogamos videogame.
Meu celular, que estava virado para baixo na mesa de centro, vibrou.
Peguei o telefone. O nome no visor fez meu maxilar travar.
Patrícia.
Respirei fundo, forçando um sorriso para Mark.
— É trabalho, campeão. — Menti. — O papai precisa atender. Fica aí escolhendo a próxima pista, volto em um minuto.
Mark assentiu, voltando sua atenção para a tela.
Levantei-me e caminhei até o meu escritório. Fechei a porta, garantindo que Mark não ouviria nada, e atendi.
— Patrícia. — Minha voz saiu fria, desprovida de qualquer cortesia. — Você tem noção de que horas são aqui?
— Oi para você também, Markus. — A voz dela estava animada, com um fundo de música lounge. — Aqui em Dubai já é manhã, querido. O fuso horário é uma loucura.
— Dubai? — Caminhei até a janela, olhando para as luzes de Manhattan. — Você foi para o outro lado do mundo?
— É sobre isso que eu queria falar. Eu não queria contar antes para não dar azar, sabe como é... mas o Rick e eu viemos para cá porque ele recebeu uma proposta de emprego irrecusável. Diretor de uma multinacional de petróleo.
Rolei os olhos.
— Parabéns para o Rick. — Falei, seco. — E quando vocês voltam?
Houve uma pausa do outro lado.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!