MARKUS BLACKWOOD
DOMINGO, 19:00.
Dessa vez consegui deixar Mark com outra babá, me preparei adequadamente arranjando uma babá para os fins de semana.
O endereço de Leah ficava no Upper West Side. Quando toquei a campainha, senti uma ansiedade juvenil agitar meu estômago, enquanto esperava segurando uma garrafa de Barolo safra 2016.
A porta se abriu.
Leah estava parada ali, emoldurada pela luz dourada que vinha de dentro do apartamento, em sua versão de casa que parecia ter saído dos meus sonhos mais febris.
Ela usava um vestido curto, numa cor champanhe suave e o tecido era fino, sugerindo as curvas sem revelar tudo explicitamente. As alças eram finas, expondo os ombros e a clavícula delicada. O cabelo estava solto, caindo em ondas naturais, e ela estava descalça.
— Oi. — Ela sorriu, e os olhos castanhos brilharam. — Pontual como um relógio suíço.
— É minha maior virtude. — Minha voz saiu um pouco mais rouca do que o planejado. Estendi a garrafa. — Para o jantar.
— Otimista da sua parte achar que o jantar deu certo. — Ela pegou o vinho, roçando os dedos nos meus. — Entra, Markus.
O apartamento dela cheirava a alecrim, manteiga e algo floral que era a assinatura dela. Era aconchegante. Livros empilhados, plantas perto da janela, uma manta colorida jogada no sofá. Era um lar.
— Quer beber algo antes? — Ela perguntou, caminhando para a cozinha americana.
— Estou dirigindo, então fico só na taça do jantar. — Embora eu não tivesse planos de voltar para casa hoje, não tenho certeza se ela tem o mesmo pensamento. Apoiei-me no balcão, observando-a se mover. — Quer ajuda com a comida?
— Está tudo pronto, na verdade. Só precisamos servir.
Jantamos na pequena mesa redonda perto da janela. O jantar que ela preparou estava, de fato, perfeito. Mas, honestamente, eu mal senti o gosto. Minha atenção estava toda nela. No jeito que ela gesticulava enquanto falava sobre o livro que estava lendo. Na forma como ela ria das minhas tentativas de explicar meu trabalho sem parecer entediante.
Quando terminamos, ela fez menção de levantar para tirar a mesa.
— Deixa comigo. — Segurei a mão dela suavemente, impedindo-a. — Você cozinhou. Eu lavo. É a lei universal da justiça de casa.
— Você? Lavando louça? — Ela arqueou uma sobrancelha, divertida. — O CEO do Manhattan Grace com as mãos na espuma?
— Acha que não sei segurar uma esponja? Você vai ver só.
Levantei-me e tirei o paletó, colocando-o sobre o encosto da cadeira. Desabotoei os punhos da camisa branca e dobrei as mangas até os cotovelos, expondo os antebraços. Soltei o primeiro botão do colarinho para respirar melhor.
Fui para a pia e comecei o trabalho.
Enquanto eu ensaboava os pratos, sentia o olhar dela nas minhas costas.
— Sabe... — A voz dela veio de trás, um pouco mais baixa e mais aveludada. — Eu gosto das suas costas, Markus.
Parei com um prato na mão e sorri para a janela à minha frente.
— É mesmo?
— É. A largura dos ombros... a postura... — Ouvi o som da cadeira sendo arrastada. Ela tinha se levantado. — Você é atraente em todos os ângulos, Sr. Blackwood. É irritante, na verdade.
Olhei por cima do ombro e vi que Leah estava parada a dois passos de distância. Ela tinha um olho fechado e o outro aberto, e com a mão levantada, fazia aquele gesto de pinça com os dedos, como se estivesse me medindo à distância, como um artista medindo a proporção de uma estátua.
Soltei uma gargalhada.
— O que você está fazendo?


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!