LEAH HAMPTON
Acordei com o alarme tocando às 6 horas. Markus já tinha ido embora.
Ele tinha saído por volta das quatro da manhã, sussurrando um pedido de desculpas no meu ouvido e um beijo na testa, murmurando algo sobre "chegar em casa antes que o Mark acorde". Eu voltei a dormir logo depois.
Deveria ter sido aquele tipo de segunda-feira onde você sorri para estranhos no metrô e acha que o café da máquina tem gosto de Nespresso. Afinal, eu tinha passado a noite mais incrível da minha vida nos braços do homem que eu estava gostando.
Mas, ao chegar ao hospital, a bolha de felicidade estourou antes mesmo de eu trocar de roupa.
— Dra. Hampton! — Grace, a enfermeira-chefe do Trauma, me interceptou antes que eu chegasse ao vestiário. O rosto dela estava vermelho de raiva.
— Bom dia, Grace. O que houve? Algum residente matou alguém?
— Pior. — Ela bateu uma folha de papel na minha mão com tanta força que estalou. — O Escritório Executivo matou a minha escala.
Franzi a testa, pegando o memorando. O papel timbrado com o logo dourado do Manhattan Grace parecia inocente, mas o conteúdo era veneno puro.
MEMORANDUM ADMINISTRATIVO: #405-B
DE: Markus Blackwood, Diretor Executivo
PARA: Chefes de Departamento
ASSUNTO: Reestruturação de Horas Extras e Congelamento de Contratações de Suporte.
" Para garantir a viabilidade fiscal do próximo trimestre e a aquisição do novo parque tecnológico de imagem, fica determinado, com efeito imediato:
1. A redução de 30% nas horas extras da enfermagem de todos os setores, incluindo Trauma e UTI.
2. O congelamento da contratação de técnicos de enfermagem substitutos.
3. A fusão das equipes de limpeza noturna."
Meus olhos percorreram o texto, e rapidamente entendi o motivo da comoção.
— Ele cortou 30% das horas extras? — Minha voz subiu uma oitava. — No Trauma? Grace, nós já operamos no limite! Se tivermos uma grande emergência, quem vai triar os pacientes? Eu e você?
— É o que diz o papel, Doutora. — Grace cruzou os braços, furiosa. — As meninas estão chorando no vestiário. Elas contam com essas horas para pagar as contas, e nós contamos com elas para manter os pacientes vivos. Sem suporte, o tempo de resposta vai dobrar. Pacientes vão morrer na sala de espera.
Amassei o papel na minha mão, transformando a ordem executiva numa bola de lixo.
— "Aquisição do novo parque tecnológico". — Li a justificativa em voz alta. — O diretor está cortando enfermeiras para comprar máquinas de ressonância magnética.
Lembrei-me da conversa dele ao telefone. "Eu não me importo com a projeção, eu quero o orçamento aprovado".
— Dra. Hampton? — Grace me chamou, vendo minha expressão escurecer. — O que vamos fazer?
— Você? Nada. Continue rodando a escala antiga.
— Mas o memorando...
— O memorando pode ir para o inferno. — Joguei a bola de papel no lixo mais próximo. — Eu vou subir e vou resolver isso agora.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!