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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 3

MARKUS BLACKWOOD

O dia se arrastou.

Fiquei trancado no escritório, mergulhado em números, mas minha mente estava no andar de baixo. Eu ficava checando o pager, esperando um chamado de desastre no Trauma, esperando que a previsão sombria de Leah se concretizasse só para provar que eu estava errado e ter um motivo para pedir desculpas.

Nada aconteceu. O hospital seguiu funcionando assim como esperado. Ela tentou se rebelar e seguir a escala antiga mas ordenei novamente o ajuste.

Às 19:00, dispensei Margareth e peguei minha pasta.

Eu estava exausto.

Desci pelo elevador executivo até a garagem. O concreto cinza e frio combinava com meu humor.

Caminhei até meu carro.

E lá estava ela.

Leah estava encostada no capô do meu Aston Martin. Ela usava a mesma roupa da manhã, mas parecia ainda mais cansada do que eu. Os braços estavam cruzados e a cabeça baixa.

Parei a alguns metros de distância. O som dos meus passos a fez levantar a cabeça.

Nossos olhares se encontraram.

— Você vai riscar meu carro com esses zíperes da jaqueta? — Perguntei, tentando uma piada fraca para quebrar o gelo, mas minha voz saiu sem humor.

Leah desencostou do carro e não sorriu.

— Eu estava esperando você. — Ela disse.

— Para gritar mais? — Destravei o carro. — Porque se for, eu prefiro que seja por mensagem. Estou com dor de cabeça.

— Não. — Ela suspirou, passando a mão pelo cabelo cacheado. — Para conversar.

Abri a porta do motorista e joguei a pasta lá dentro. Depois, apoiei os braços no teto do carro e olhei para ela do outro lado.

— Estou ouvindo.

— Eu dobrei o turno da tarde. — Ela começou, olhando para as próprias botas. — Trabalhei lado a lado com as enfermeiras para cobrir a lacuna do corte. Foi o inferno. Corremos o tempo todo. Mas... ninguém morreu.

— Fico feliz em saber.

— Grace me mostrou os números depois. Do orçamento. — Ela levantou os olhos para mim. — Ela tem acesso aos relatórios do departamento. Eu vi o rombo que o antigo diretor deixou.

Fiquei em silêncio, esperando.

— Eu não sabia que era tanto. Eu achei que fosse... ganância do conselho.

— Você deveria me conhecer melhor que isso, Leah. — Falei, suavemente. — Eu estou tentando salvar o emprego de todo mundo.

— Eu sei. Agora eu sei. — Ela mordeu o lábio, um gesto que normalmente me deixaria louco de desejo, mas agora me deixava triste. — Mas Markus... Aquelas enfermeiras têm famílias. Elas estão assustadas.

— Eu sei.

— E você não pode me tratar como uma funcionária qualquer quando toma decisões que afetam meu trabalho. — A voz dela tremeu um pouco. — Eu me senti traída. Você soltou uma bomba dessas sem nem me dar um aviso, quando teve uma semana inteira e uma noite inteira de chance para contar. Se tivesse explicado antes, poderíamos ter achado uma solução melhor ou pelo menos eu teria te entendido. Parece que você não confia em mim.

Contornei o carro. Parei na frente dela. Não a toquei, embora cada célula do meu corpo quisesse puxá-la para um abraço.

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