MARKUS BLACKWOOD
— A Leah é sua namorada?
Olhei para Leah. Ela estava com os olhos arregalados, tensa. Ela parecia aterrorizada com a perspectiva da resposta.
Olhei para Mark. Ele estava apenas curioso, esperando uma definição para o mundo dele.
Não havia por que mentir. Nem havia por que complicar as coisas tentando explicar os termos de uma "amizade colorida".
— Sim, Mark. — Respondi, sem enrolação. — Ela é minha namorada. — Ouvi Leah prender a respiração ao meu lado. Olhei para Mark, avaliando a reação dele. — Tudo bem para você?
Mark olhou para Leah, depois para mim, depois para a tela da TV.
— Sim. — Ele assentiu, decisivo. — A Leah é a adulta mais divertida que eu conheço. Ela sabe fazer drift no jogo. E ela é muito bonita. Eu quero ser amigo dela.
Senti um sorriso enorme, se abrir no meu rosto.
Olhei para Leah. Ela estava derretida. Os olhos brilhavam, e ela olhava para Mark com uma ternura que me fez querer beijá-la ali mesmo.
— Obrigada, Mark. — Ela sussurrou. — Eu também quero muito ser sua amiga. E... obrigada pelos elogios.
— De nada. — Ele disse, simples. — Agora, a gente pode jogar? O papai tem que perder um pouquinho também.
— Vamos nessa! — Leah riu, levantado o controle.
— Ok. Mas aqui é uma democracia competitiva. O próximo que perder fica de fora por uma rodada e dá a vez para quem está esperando.
— Fechado. — Leah disse, recuperando o espírito competitivo de Mario Kart.
O que se seguiu foi um massacre.
Leah não teve piedade. Nenhuma.
Ela venceu a primeira corrida contra Mark. Mark, emburrado, me passou o controle.
Ela venceu a segunda corrida contra mim. Eu, emburrado, passei o controle para Mark.
Ela venceu a terceira. A quarta. A quinta. Depois de doze vitórias consecutivas dela, eu e Mark estávamos sentados lado a lado no sofá, com os braços cruzados, fazendo a mesma expressão de indignação.
— Isso é muita humilhação, Leah. — Resmunguei, vendo a Princesa Peach dela cruzar a linha de chegada soltando beijos. — Você poderia ter entregado pelo menos uma vez. Pelo bem da nossa moral.
— É, Leah! — Mark concordou, franzindo a testa. — Eu sou uma criança!
— Crianças precisam aprender que a vida é dura e que a derrota faz parte dela. — Ela riu, vitoriosa, largando o controle. — Mas prometo dar a revanche para vocês na próxima. — Ela olhou para o relógio na parede. — E falando em próxima... já passou da hora de dormir, mocinho.
Mark suspirou, derrotado duplamente: pelo sono e pelo videogame.
— Ah, não...

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!