LEAH HAMPTON
Descemos para a garagem. O trajeto até o hospital foi rápido, mas parecia existir numa bolha de tempo suspensa. Markus segurou minha mão o caminho todo, entrelaçando nossos dedos.
Falamos sobre coisas triviais, como o trânsito, o tempo, o fato de que a Sra. Higgins tinha colocado canela demais no café.
Quando nos aproximamos da zona hospitalar, decidi que era hora da separação.
— Aqui está bom. — Apontei para a esquina da Rua 52 com a Avenida, duas quadras generosas antes da entrada principal.
Markus encostou o carro e olhou para fora, medindo a distância.
— É longe, Leah. Está ventando. — Antes era o calor que me faria suar, agora é o frio.
— Eu sou feita de material resistente. — Desafivelei o cinto. — Obrigada pela carona, Sr. Blackwood.
Virei-me para ele. Markus me olhou de um jeito que fez o ar dentro do carro ficar rarefeito.
— Tenha um bom dia, Leah. — Ele se inclinou e me beijou. Não foi um beijo de despedida casual. A mão dele foi para a minha nuca, aprofundando o contato, me fazendo esquecer por um segundo onde estávamos.
Quando nos separamos, meus lábios formigavam e eu sabia que estava sorrindo como uma adolescente apaixonada.
— Tchau. — Sussurrei, saindo do carro antes que eu desistisse de trabalhar e o sequestrasse para um hotel.
Fechei a porta do Aston Martin. Markus esperou eu chegar à calçada antes de arrancar, o motor potente roncando suavemente enquanto ele se misturava ao trânsito.
Ajeitei minha bolsa no ombro, respirei fundo o ar gelado de Nova York e comecei a caminhar.
O vento frio ajudou a dissipar o calor do rosto e a colocar minha cabeça no lugar.
Caminhei as duas quadras, parando para comprar um café preto e entrei pelo saguão principal do hospital.
— Bom dia, Dra. Hampton. — O segurança cumprimentou.
— Bom dia, Jerry.
Até aí, tudo normal.
Fui para o vestiário dos médicos. Troquei minha roupa civil pelo pijama cirúrgico, prendi o cabelo num coque e coloquei o estetoscópio.
— Rondas. — Falei para mim mesma.
Comecei a manhã na UTI. O caso do empalamento, estava evoluindo bem. Discuti os níveis de creatinina com o nefrologista, ajustei a dose de antibióticos e assinei duas altas. Tudo estava normal.
Mas, por volta das 11:00, comecei a notar.
Era sutil no começo.
Eu entrei num corredor, e duas enfermeiras que estavam conversando pararam subitamente.
Eu passei pelo balcão da administração, e senti olhares queimando nas minhas costas.
Quando entrei no refeitório para pegar uma maçã, houve um silêncio momentâneo numa mesa de residentes da ortopedia, seguido por risadinhas abafadas quando virei as costas.
Estou ficando paranóica? Acho que só estou mais sensível por estar escondendo algo.
Tentei ignorar. Fui para o posto de enfermagem do Trauma revisar os prontuários da tarde.
— Dra. Hampton? — Um interno se aproximou, parecendo nervoso. — A senhora poderia assinar o pedido de sangue para o leito 4?
— Claro. — Peguei a prancheta.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!