LEAH HAMPTON
O som do monitor cardíaco apitando ritmicamente a 85 batimentos por minuto era a coisa mais linda que eu já tinha ouvido em toda a minha vida.
Quando a equipe do centro cirúrgico finalmente assumiu, levando minha paciente de apenas 15 anos para o andar de cima, eu senti como se alguém tivesse cortado as cordas que mantinham meu corpo em pé.
Olhei para o relógio na parede manchada de sangue seco. 07:15 da manhã.
Eu devia ter saído às dez da noite de ontem. Vinte e cinco horas. Eu estava acordada, operando, correndo e gritando há vinte e cinco horas ininterruptas.
Tirei as luvas e minhas mãos tremiam de pura exaustão glicêmica e muscular.
Caminhei até a pia de escovação no corredor. A água gelada atingiu minha pele, lavando o sangue seco dos meus antebraços, mas não conseguia lavar a sensação de cansaço nos meus ossos.
— Você tem uma técnica de sutura vascular interessante.
Não me virei. Eu já reconhecia aquela voz. Ela estava gravada no meu cérebro agora, associada a cheiro de sangue e comando.
Markus estava na pia ao lado, esfregando os braços com a escova de clorexidina. Ele tinha tirado o avental sujo, mas a camisa branca estava arruinada, manchada de vermelho escuro no abdômen e nos punhos.
— É a técnica modificada de Blalock. — Respondi, minha voz saindo rouca. Desliguei a torneira e peguei o papel toalha. — Aprendi no Mount Sinai. É mais rápida se você não se importa em sacrificar um pouco da estética inicial.
— Em trauma, estética é um luxo. Vida é a prioridade.
Ele desligou a água e secou as mãos. Pela primeira vez nas últimas horas, olhei diretamente para ele sob a luz clara e impiedosa da manhã.
A barba por fazer sombreava o maxilar quadrado, e os olhos cinzentos estavam vermelhos nas bordas, mas a postura continuava perfeita. Ele não curvava os ombros.
— Quantas cirurgias foram? — Ele perguntou, jogando o papel no lixo.
— Perdi a conta depois da quarta laparotomia. — Encostei na parede do corredor, fechando os olhos por um segundo. — Acho que operamos doze pessoas e estabilizamos mais dez.
— Vinte e duas vidas. — Ele murmurou. — Nada mal para o primeiro dia de uma nova administração.
— Nada mal. — Abri os olhos e o encontrei me observando.
— Vou subir para o meu escritório, tomar um banho e pegar um café preto forte o suficiente para acordar um morto. — Ele disse, ajeitando as mangas da camisa manchada. — Aceita um copo, Dra. Hampton?
Tomar café com o chefe? Com o homem que tinha operado ao meu lado como se fôssemos uma extensão um do outro. Seria uma jogada inteligente. Seria a chance de garantir meu emprego e limpar a barra pelo vacilo de ontem.
Mas meu corpo discordava e minhas pálpebras mal se mantinham abertas.
— Obrigada, Sr. Blackwood. — Suspirei, desencostando da parede. — Mas se eu tomar cafeína agora, meu coração vai explodir. Tudo que eu quero é a minha cama e o esquecimento total pelas próximas doze horas.
Um canto da boca dele subiu.
— Compreendo. — Ele assentiu. — Você fez um excelente trabalho hoje, Leah. Descanse. Você ganhou dois dias de folga por sua determinação. Não quero ver seu rosto aqui antes disso.
— Isso é uma ordem?
— É.
— Então vou obedecer com prazer.
Acenei e voltei a caminhar em direção ao vestiário feminino.
Tirei o pijama cirúrgico sujo, jogando-o no cesto com satisfação. A água quente do chuveiro do hospital era fraca, mas serviu para tirar o cheiro de morte da minha pele.
Vesti minha calça jeans, uma camiseta branca e meu casaco de couro.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!