MARKUS BLACKWOOD
A "hiperatividade" que eu temi não aconteceu. Mark desmaiou às 20:30, exausto pela natação.
Agora, o silêncio do quarto era apenas nosso.
Leah estava deitada de lado, aninhada contra o meu peito, minha perna entrelaçada na dela. Tínhamos acabado de fazer amor, lento e preguiçoso, daquele tipo que não precisa de acrobacias para ser devastador, apenas conexão pura.
Eu passava a mão pelas costas nuas dela, sentindo a respiração regular contra a minha pele.
— Você foi mole com o sorvete hoje. — Ela sussurrou, a voz sonolenta.
— Eu escolho minhas batalhas. — Beijei o topo da cabeça dela. — E ver vocês dois juntos... conspirando contra mim... fez valer a pena perder.
— Nós não conspiramos. Nós apenas nos defendemos contra a sua rigidez.
Ri baixo.
— Minha rigidez mantém esse teto sobre nossas cabeças.
— Até parece que se você for mais flexível com a gente a casa vai desabar. — Ela levantou o rosto, apoiando o queixo no meu peito para me olhar. Os olhos castanhos estavam sérios agora. — Markus... você já pensou sobre as férias de verão?
— Estamos em abril, Leah.
— Eu sei. Mas escalas de hospital precisam ser feitas com antecedência. E eu estava pensando... meu irmão tem uma casa no lago. É simples, nada de luxo, mas tem barco, tem fogueira... Mark ia adorar.
A ideia de passar uma semana numa cabana rústica com a família barulhenta dela deveria me causar urticária. Mas a imagem de Mark pescando com o Apollo, de Leah sem maquiagem lendo na varanda, de nós dois longe dos bipes e dos trabalhadores...
— Parece perfeito. — Respondi.
— Isso aí! — Ela sorriu e me beijou, um selinho demorado. — Eu te amo, sabia?
Meu coração falhou uma batida. Não era a primeira vez que ela dizia, nem a primeira vez que eu ouvia, mas ainda tinha o impacto de um desfibrilador.
— Eu também te amo, Leah. — Abracei-a mais forte. — Agora durma.
[...]
Sexta feira. Noite de Filme.
A regra era simples: rodízio de escolha. Nesta semana, a escolha era de Mark. O que significava, invariavelmente, alguma animação onde animais falavam e cantavam músicas que grudavam na cabeça por dias.
Estávamos na sala. Eu tinha feito pipoca sem manteiga, para desgosto de Leah, mas ela contrabandeou M&Ms para misturar no pote.
Mark estava no meio, como sempre. Leah à direita dele, eu à esquerda. Uma pilha humana de cobertores e membros entrelaçados.
O filme escolhido era sobre um cachorro que se perdia na cidade grande. Clássico drama canino.
— Ele vai achar a casa dele, né? — Mark perguntou, a voz preocupada, abraçando o joelho de Leah.
— Claro que vai, querido. — Leah acariciou o cabelo dele. — É um filme da Disney. No final, todo mundo se encontra.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!