LEAH HAMPTON
Mãe.
Não foi um erro de pronúncia. Não foi um balbucio confuso, mas não tive tempo de processar a magnitude daquilo.
Mark estava sangrando. Ele estava com dor. E ele tinha me escolhido como seu socorro.
Puxei-o do chão ignorando o sangue que manchava minha camiseta branca favorita. Ele enterrou o rosto no meu pescoço, soluçando, o corpinho quente tremendo contra o meu.
— Markus, cadê a maleta de primeiros socorros?
— Eu levo, vai para o banheiro da suíte.
Carreguei Mark para o andar de cima, subindo os degraus de dois em dois. Ele era pesado para quatro anos, mas a adrenalina fazia com que parecesse uma pluma.
— Dói... — Ele choramingou, agarrando meu cabelo.
— Eu sei, meu amor. Eu sei que dói. — Sussurrei contra a orelha dele, beijando sua têmpora enquanto entrava no banheiro. — Mas nós vamos consertar isso. Você foi muito corajoso e pulou igual ao super-cão.
Coloquei-o sentado na bancada. Ele tentou se encolher, escondendo o rosto de novo.
— Ei, olha pra mim. — Segurei as mãozinhas dele suavemente, afastando-as do queixo. — Eu preciso ver o estrago.
Markus entrou no banheiro trazendo a caixa laranja de emergência.
— Está muito ruim? — Markus perguntou.
Analisei o corte. Era na parte inferior do queixo. Sangrava bastante, mas cortes faciais sempre sangram muito devido à vascularização, as bordas eram limpas.
— É profundo, mas reto. — Diagnostiquei rapidamente. — Não vai precisar de pontos se ele colaborar. Vamos usar cola cirúrgica e fitas de sutura estéril.
— Vai doer? — Mark perguntou, os olhos cinzentos nadando em lágrimas, olhando para mim com uma confiança absoluta.
— Vai arder só um pouquinho, como uma picada de formiga. — Prometi, pegando uma gaze estéril para limpar o sangue. — Mas se você ficar bem quietinho e deixar eu limpar, prometo duas coisas.
Ele fungou, interessado.
— O quê?
— Primeiro: amanhã nós vamos ao parque. E você pode ir em todos os brinquedos, até naqueles que o papai acha perigosos.
Markus abriu a boca para protestar, mas eu lancei um olhar de repreensão para ele que o fez fechar a boca imediatamente.
— E segundo... — Continuei, limpando o sangue com delicadeza. — Você pode comer o que quiser no almoço. Hambúrguer, batata frita, nuggets de dinossauro. Sem brócolis.
Os olhos de Mark brilharam através das lágrimas.
— Até sorvete e chocolate?
— Até sorvete e chocolate.
— Tá bom. — Ele assentiu, estufando o peito num soluço final. — Eu fico quieto.
— Bom garoto.
Comecei a trabalhar. Markus ficou ao meu lado, passando as gazes, o antisséptico e a cola biológica.
Mark apertou a mão de Markus quando o antisséptico tocou a pele aberta, mas não se moveu.
— Pronto. — Apliquei a última fita adesiva, selando o corte perfeitamente. — Está novinho em folha.
Afastei-me para olhar. O curativo estava limpo e discreto.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!