LEAH HAMPTON
O Central Park estava banhado por aquela luz dourada e espessa do final da tarde.
Eu tinha conseguido trocar as últimas duas horas do meu turno — uma manobra que me custaria um plantão inteiro de domingo no mês que vem, mas que valia cada segundo — para cumprir a promessa feita na noite anterior.
— Olha, Leah! Eu sou mais rápido que o vento!
Mark passou correndo por mim, os braços abertos como asas de avião, o curativo branco no queixo destacando-se contra a pele corada pelo esforço. Ele ria, aquele som puro e desimpedido que parecia limpar a poluição do ar ao nosso redor.
— Cuidado com as raízes das árvores, "Vento"! — Gritei de volta, sentada num banco de madeira, sentindo o sol aquecer meu rosto.
Ao meu lado, Markus não estava relaxado.
Enquanto eu observava Mark com o olhar carinhoso absorvendo a alegria do momento, Markus observava o perímetro como um agente do Serviço Secreto. Ele estava sentado na ponta do banco, a coluna ereta, os óculos escuros escondendo os olhos que eu sabia que estavam varrendo cada arbusto e cada esquilo suspeito.
A conversa com Patrícia pela manhã estava sobre ele como uma nuvem de tempestade. Ele não tinha me dado todos os detalhes, apenas que ela queria a guarda integral novamente e que tinha feito ameaças, mas seu comportamento dizia tudo.
Estendi a mão e pousei sobre o joelho dele, apertando suavemente o tecido do jeans.
— Ele está bem, Markus. — Murmurei. — Estamos num lugar público, cheio de famílias. Ninguém vai sequestrá-lo na frente do carrossel.
Markus virou o rosto para mim. Ele suspirou, e vi os ombros dele descerem alguns milímetros.
— Eu sei. — Ele cobriu minha mão com a dele.
— Ótimo, então relaxe e vai comprar sorvete como prometido.
— Sorvete antes do jantar. — Ele balançou a cabeça. — Você é uma má influência, Dra. Hampton.
— Eu sou a melhor influência que vocês poderiam ter. Agora, vai lá. Eu fico de olho no Vento.
Markus se levantou para comprar os sorvetes. Fiquei observando-o se afastar. A forma como ele caminhava, atraía olhares. Algumas mães empurrando carrinhos viraram a cabeça. Senti uma pontada de orgulho. "É, ele é lindo mesmo. E é meu."
Mark voltou correndo, ofegante, parando entre meus joelhos.
— Cadê o papai?
— Foi buscar o sorvete. — Ajeitei o cabelo suado da testa dele. — O queixo está doendo?
— Nem lembro dele! — Mark garantiu. — Leah, você viu que eu pulei a pedra grande?
— Vi. Foi um salto olímpico.
Markus voltou com duas casquinhas. Chocolate para Mark, baunilha para mim e nada para ele, porque Markus Blackwood não come açúcar em dias úteis, aparentemente.
— Esconde-esconde! — Mark anunciou assim que engoliu o último pedaço da casquinha. — Eu conto!
— Não, o papai conta. Você e a Leah se escondem. — Markus sugeriu.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!