MARKUS BLACKWOOD
A volta para casa foi tranquila. Mark dormiu no banco de trás na metade do caminho. Leah estava quieta, olhando pela janela, com uma expressão pensativa que eu não conseguia interpretar.
— Eu vou dar um banho rápido nele para tirar a terra do parque. — Leah sussurrou assim que entramos no apartamento, pegando Mark no colo, que resmungou algo.
— Quer ajuda? — Perguntei, colocando as chaves na bancada.
— Não precisa. Aproveita para relaxar um pouco.
Ela subiu as escadas.
Fui até o bar e servi um copo de uísque. Meu celular, que deixei sobre a ilha da cozinha, vibrou.
Peguei o aparelho, esperando ser algo do hospital.
Não era.
Era uma mensagem de um número desconhecido.
Deslizei a tela para desbloquear. Eram fotos. Tirada com uma lente de longo alcance.
A foto mostrava Leah no Central Park, hoje à tarde. Primeiro nós três tomando sorvete. Depois eles se escondendo na árvore. Por último, ela estava carregando Mark no colo. A cabeça dele estava no ombro dela e os olhos fechados. O rosto de Leah estava virado para ele, com uma expressão de ternura.
Era uma imagem linda.
Mas o contexto a tornava aterrorizante. Alguém estava nos seguindo. Alguém estava a metros de distância da minha namorada e do meu filho, invadindo nossa privacidade, catalogando nossos movimentos.
Abaixo da foto, uma legenda curta:
"Babás são temporárias. Mães são eternas. E juízes conservadores não gostam de mulheres solteiras brincando de casinha com o filho dos outros enquanto a mãe biológica chora de saudade. Prepare-se."
Patrícia.
Ela contratou um detetive e estava montando um dossiê.
Já entendi o jogo dela. Alienação parental? Exposição do menor a relacionamentos instáveis?
Ela ia dizer que eu estava introduzindo mulheres aleatórias na vida do Mark, confundindo a cabeça dele, enquanto a "mãe amorosa" tentava recuperar o contato.
"Namorar" não era mais suficiente.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!