MARKUS BLACKWOOD
Os vinte minutos de recesso finalmente terminaram e a porta lateral se abriu.
O oficial de justiça chamou:
— Todos de pé.
O Juiz Caldwell entrou. Ele se sentou, ajeitou a toga e olhou para o plenário.
— Podem se sentar. — Ele ordenou.
Obedecemos.
Caldwell entrelaçou os dedos sobre a mesa e olhou diretamente para Patrícia, depois para mim.
— Tive uma conversa muito esclarecedora com o menor Mark Blackwood. — O juiz começou. — Apesar da pouca idade, a criança demonstrou uma compreensão lúcida do seu ambiente familiar. Ele não parecia coagido, nem treinado.
Ele abriu a pasta à sua frente.
— O garoto descreveu sua rotina atual com detalhes de afeto e segurança. Ele falou sobre a o tempo de lazer, sobre os jantares em família e sobre como se sente protegido na casa do pai. — O juiz fez uma pausa, olhando severamente para Patrícia por cima dos óculos. — Ele também descreveu, com honestidade o medo que sente quando a mãe levanta a voz. Ele usou a palavra "assustadora" para descrever a senhora, Sra. Valente. Não "amorosa". "Assustadora".
Patrícia abriu a boca para protestar, mas o advogado dela colocou a mão no seu braço, impedindo-a.
— Diante disso, e somando aos relatórios financeiros e psicológicos que apontam uma clara instabilidade na vida da requerente... — Caldwell ergueu o martelo. — ...eu decido que a guarda unilateral e integral do menor Mark Blackwood permanece com o pai, o Sr. Markus Blackwood.
Soltei o ar que prendia, sentindo meu corpo inteiro tremer de alívio. Leah soltou um soluço abafado ao meu lado, levando a mão à boca.
— Quanto à visitação... — O juiz continuou. — O tribunal não vê benefício, neste momento, em retirar a criança de seu ambiente seguro para pernoitar com a mãe. As visitas serão quinzenais, aos sábados, por quatro horas, e deverão ser estritamente supervisionadas por um assistente social designado pelo estado.
— O QUÊ?! — O grito de Patrícia fez todos os olhos se voltarem para ela.
Ela se levantou num pulo, derrubando a cadeira para trás com um estrondo. O advogado dela tentou segurá-la, mas ela o empurrou com violência.
— Isso é um absurdo! — Ela berrou. A pose de mãe sofredora tinha evaporado completamente. — Você não pode fazer isso! Eu sou a mãe dele! Eu pari aquele menino!
— Sra. Valente, contenha-se! — O juiz Caldwell advertiu. — Sente-se agora ou será retirada!
— Eu não vou me sentar! — Ela apontou o dedo para o juiz. — Quanto ele te pagou, hein? Quanto o Markus te pagou para tirar meu filho de mim? Você é um corrupto! Um velho vendido! Isso é uma farsa!
A sala inteira congelou. Acusar um juiz de suborno aos gritos no meio de uma audiência era suicídio legal.
— Patrícia, pare! — O advogado dela sibilou, pálido.
Mas Patrícia estava cega de ódio. Ela se virou para mim e Leah.
— E você! — Ela gritou para Leah. — Sua vadia de jaleco! Você roubou minha vida! Você acha que vai ficar com meu filho? Eu vou acabar com você! Eu vou...



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!