LEAH HAMPTON
Acordar foi um processo doloroso.
Meus olhos se abriram, mas meu corpo se recusou a cooperar imediatamente. Eu estava torta no sofá, com um braço pendurado para fora e o pescoço num ângulo que certamente me custaria caro nos próximos dias. O relógio digital no painel da TV piscava dizendo que eram 14:00.
Gemi, forçando meu tronco a se erguer. Cada músculo no meu ser protestou. Meus braços doíam com uma memória muscular fantasma. Era a ressaca da adrenalina, o preço fisiológico de ter enganado a morte por vinte e cinco horas seguidas.
Minha barriga roncou, um som alto e exigente que era compreensível.
Arrastei-me até o celular na mesa de centro. Desbloqueei a tela e fui direto para o aplicativo de entrega. Não pensei em calorias, não pensei em nutrientes. Selecionei a pizzaria italiana da esquina. Pepperoni, extra queijo, borda recheada. E duas latas de Coca-Cola normal.
— Você merece, Leah — murmurei para o nada, com minha voz rouca de sono.
Enquanto a comida não chegava, arrastei meu corpo até o banheiro. Fiquei parada sob o jato de água fervente até o espelho embaçar completamente. Tudo que me incomodava desceu pelo ralo junto com a espuma do sabonete.
Quando a pizza chegou, comi sentada no tapete da sala, como uma universitária, assistindo a um reality show idiota. Eu precisava daquilo. Precisava ver pessoas chorando porque a cor da tinta da cozinha estava errada. Era trivial. Ninguém morria se o granito fosse feio.
Apaguei de novo logo depois. Meu domingo foi engolido pela exaustão.
Na segunda-feira à tarde, a solidão do apartamento começou a parecer mais sufocante. Eu precisava ver gente.
Peguei um táxi e fui até a adorável residência onde Alex e Lizzy moravam.
Alex abriu a porta assim que toquei a campainha. Ele estava com olheiras profundas, vestindo uma camiseta manchada de leite no ombro, mas sorriu quando me viu.
— Olha só quem ressurgiu das cinzas. — Ele abriu os braços. — Entra. Mas fala baixo. Noah acabou de tirar um cochilo, e se ele acordar, eu choro junto.
Entrei, sentindo o cheiro de talco, lavanda e... café forte. A casa estava quente e acolhedora.
— Cadê a Lizzy? — Perguntei, tirando o casaco e pendurando no hall.
— Na cozinha, tentando comer algo que não seja sanduíche.
Caminhei até a cozinha. Lizzy estava sentada, comendo uma tigela de sopa com uma mão e segurando o monitor da babá eletrônica com a outra.
— Leah! — Ela cumprimentou, sorrindo. — Achei que você fosse dormir por uma semana inteira depois daquele plantão.
— Eu tentei. — Puxei uma banqueta e sentei de frente para ela. — Como vocês estão lidando com a primeira noite em casa?
— Foi... uma experiência nova. — Lizzy riu, passando a mão no cabelo despenteado. — Ele acorda a cada duas horas. Alex fica achando que ele parou de respirar a cada cinco minutos.
— É normal. — Tranquilizei. — Lembra quando...
Fui interrompida por um choro vindo do andar de cima. Um choro agudo e potente.
Alex apareceu na porta da cozinha, com os ombros caídos.
— Lá vamos nós.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!