LEAH HAMPTON
UMA SEMANA DEPOIS...
Eu estava sendo sequestrada.
Não havia outra palavra para descrever a situação. Stella segurava meu braço esquerdo com uma força surpreendente para alguém que agora vivia de salada e pilates, e Lizzy empurrava minhas costas com a determinação de um trator.
— Eu odeio vocês — resmunguei, fincando os calcanhares no chão. — Isso é cárcere privado. Vou ligar para o Markus e dizer que estou sendo levada contra a minha vontade para uma câmara de tortura cheia de tule.
— Para de ser contra, Leah! — Stella revirou os olhos, sem diminuir o passo. — Estamos na frente da Bella Sposa. É o destino. E você precisa entrar.
— Eu não preciso entrar! — protestei, tentando me soltar. — Gente, pelo amor de Deus, eu fiquei noiva há duas semanas! O anel ainda nem se acostumou com o meu dedo. O Markus e eu conversamos, não temos pressa. Vamos casar daqui a uns cinco anos, ou talvez quando o Mark estiver na faculdade ou quando a gente pagar a hipoteca da casa de praia que nem compramos ainda.
Lizzy parou de me empurrar apenas para rir na minha cara. Uma risada alta e escandalosa que fez duas senhoras que passavam olharem feio.
— Cinco anos? Faculdade? — Lizzy secou uma lágrima imaginária. — Leah, querida, você é médica, deveria ser inteligente. Você ficou noiva com três meses de namoro. Três. Meses. Você acha mesmo que vocês vão esperar cinco anos para casar?
— É só uma estimativa sensata... — tentei argumentar.
— Sensata? — Stella bufou. — Vocês já moram juntos, tecnicamente têm um filho de seis anos e agem como se estivessem casados há décadas. A única coisa que falta é o papel e a festa. Eu aposto meu par de sapatos favoritos que vocês casam em menos de um ano.
— Apostado! — gritei, vendo uma chance de ganhar sapatos caros. — Agora que apostamos, podemos ir comer hambúrguer?
— Nem pensar. — Stella abriu a porta de vidro da loja. — Entra. Nunca é cedo demais para saber o que você quer usar no seu casamento.
Fui arrastada para dentro. A loja era um mar branco. Havia vestidos por toda parte. Vestidos bufantes, vestidos justos, vestidos que pareciam custar muito caro. Uma vendedora com um coque tão apertado que devia estar puxando seu cérebro veio em nossa direção com um sorriso.
— Bom dia, senhoritas. Quem é a noiva sortuda?
Stella e Lizzy apontaram para mim ao mesmo tempo. Levantei a mão timidamente, como se estivesse me entregando à polícia.
— Sou eu. Mas eu só estou olhando. Tipo, olhando mesmo.
A vendedora, cujo crachá dizia "Mônica", ignorou completamente minha declaração.
— Excelente! Temos a nova coleção de outono que chegou ontem. Qual o seu estilo? Princesa? Sereia? Boho chic?
— O estilo dela é versátil demais — Lizzy respondeu por mim. — Mas ela fica linda de sereia. Ela tem um bom quadril. Traz tudo o que tiver de sereia e alguns de princesa só para a gente rir.
— Lizzy! — repreendi.
— O que foi? Se é pra fazer, vamos fazer direito. Vai para o provador, Dra. Hampton.
Nos trinta minutos seguintes, fui transformada em uma boneca de vestir das minhas amigas.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!