MARKUS BLACKWOOD
A casa tinha sons eletrônicos de explosões e chutes na bola que vinham da sala de estar.
Mark estava sentado no tapete, com o controle do videogame na mão, a língua levemente para fora em concentração total. Ele estava jogando FIFA.
— E aí, campeão? — cumprimentei, afrouxando a gravata. — Ganhando ou perdendo?
— Ganhando, óbvio — ele respondeu sem tirar os olhos da TV. — 3 a 0 no Real Madrid. Sou imbatível.
— Modesto também — ri, bagunçando o cabelo dele.
Olhei ao redor. A casa estava organizada, mas faltava algo...
— Cadê a Leah? — perguntei, sentando no braço do sofá. — O carro dela não estava lá embaixo.
Mark apertou os botões freneticamente, fazendo seu jogador driblar dois zagueiros virtuais.
— Saiu. Com a tia Lizzy e a tia Stella.
— Ah, vai ser noite das meninas? — Leah merecia. O trabalho não estava fácil.
— Acho que sim — Mark deu de ombros. — Elas vieram aqui, fizeram uma bagunça, a tia Stella disse que ela tinha que ir logo e arrastaram ela pro carro.
— E disseram para onde iam?
Mark fez um gol e comemorou com um gritinho contido antes de responder.
— Shopping.
— Fazer compras?
— É. — Ele pausou o jogo para beber um gole de suco. — A tia Stella falou que elas iam ver vestido de noiva.
— Como é que é? — perguntei, achando que tinha ouvido errado por causa do barulho da torcida virtual na TV.
— Vestido de noiva. Sabe? Aqueles brancos, grandes? A tia Lizzy disse que ela precisava experimentar logo.
Senti meu coração dar um solavanco estranho.
— Vestido de noiva... Você tem certeza, filho?
— Tenho. Elas tavam falando disso o tempo todo. "Ah, vamos encontrar o vestido ideal..." — Ele imitou a voz da Stella fazendo uma careta engraçada. — Pai, posso comer pizza hoje?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!