MARKUS BLACKWOOD
A pizza tinha chegado, mas a minha fome tinha evaporado completamente, substituída por uma ansiedade que vibrava no meu estômago como um enxame de abelhas. Mark estava na segunda fatia, com os olhos grudados na TV, onde o jogo de futebol continuava.
Eu precisava do controle remoto. E precisava agora.
— Mark. — Chamei, limpando a garganta. — Pausa o jogo um minuto.
— Ah, pai! — Ele reclamou, sem desviar o olhar. — Tô no meio de um contra-ataque! Se eu pausar agora, perco o ritmo.
— Filho, preciso ver uma coisa na TV. É importante.
— Mais importante que a final do campeonato? — Ele me olhou com aquela expressão de incredulidade engraçada que só crianças conseguem fazer.
Respirei fundo. Negociação era base de qualquer acordo de sucesso.
— Se você me der o controle agora e for tomar banho sem reclamar... — Fiz uma pausa. — ...eu te levo no "Galaxy Arcade" no sábado. Com fichas ilimitadas por duas horas.
Os olhos de Mark se arregalaram. O controle do videogame caiu no tapete macio como se tivesse queimado a mão dele.
— Ilimitadas? Tipo, posso jogar no simulador de moto quantas vezes eu quiser?
— Quantas vezes quiser.
— Fechado! — Ele se levantou num pulo, limpou as mãos de gordura de pizza no guardanapo e correu para a escada. — O controle é todo seu! Fui!
Assim que ouvi a porta bater no andar de cima, peguei o controle. Minhas mãos estavam suando. Isso era ridículo. Por que estava nervoso em sondar a minha própria noiva sobre a data do nosso casamento?
Procurei freneticamente nos canais de streaming. Ação, terror, documentários... onde estavam aqueles programas de casamento?
Achei. "O Vestido Ideal". Parecia promissor. Ou torturante...
Coloquei no canal e deixei o volume baixo. Sentei no sofá, tentei adotar uma postura relaxada e esperei.
Dez minutos depois, Leah chegou.
— Oi amor! — Ela sorriu ao me ver.
— Oi, linda. — Sorri, estendendo o braço sobre o encosto do sofá. — Vem cá. Tem pizza se ainda couber.
— Pizza? Deus me livre. — Ela jogou a bolsa na poltrona e se jogou ao meu lado no sofá, aninhando-se instantaneamente no meu abraço. — Só quero ficar quieta.
— Tudo bem. — Beijei o topo da cabeça dela. — O que vocês ficaram fazendo esse tempo todo?
— Ah, coisas de meninas. — Ela disse, vaga. — Andamos pelo shopping, comemos, olhamos vitrines... Nada demais.
Ela estava escondendo o jogo.
— Entendi. — Mantive o tom casual. Apontei para a TV com o queixo. — Eu estava zapeando e caiu nesse negócio aqui. É fascinante como as pessoas surtam por causa de um pedaço de tecido.
Na tela, uma noiva estava chorando histericamente porque o vestido não tinha o tom exato de "branco gelo" que ela queria, enquanto a mãe dela gritava que o casamento deveria ser cancelado.
Leah olhou para a TV e soltou uma risada nasalada.
— É muito drama. — Ela comentou, relaxando contra o meu peito.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!