LEAH HAMPTON
O som das explosões do videogame preenchia a sala de estar, se juntando aos gritos ocasionais de Mark quando ele vencia uma fase difícil.
— Vai, Mark! Pula na cabeça do cogumelo! — Incentivei, deitada no sofá com os pés para o alto, ainda de pijama cirúrgico. Eu tinha chegado há uma hora.
— Consegui! — Mark levantou os braços. — Leah, você viu? Eu sou um mestre!
— Vi sim, mestre dos controles. — Ri, espreguiçando-me.
Olhei para o relógio na parede. 20:30.
Markus ainda não tinha chegado.
Isso não era comum. Ele sempre mandava mensagem se fosse atrasar. "Reunião estendeu", "Trânsito no túnel", "Compre o jantar que eu chego logo". Hoje? Nada. Silêncio total desde as quatro da tarde.
— Mark, seu pai falou com você hoje?
— Não. — Ele nem tirou os olhos da tela.
Franzi a testa. Peguei meu celular. Nenhuma notificação. Liguei para o escritório dele. Caixa postal.
Aquele friozinho na barriga começou a subir. Levantei e fui até a cozinha. O jantar que a Sra. Higgins tinha deixado estava frio sobre o balcão. Coloquei no microondas.
Ouvi o barulho da porta da frente se abrindo.
O alívio foi imediato.
— Markus? — Chamei, saindo da cozinha.
Ele estava entrando, tirando o paletó com uma pressa estranha. O cabelo estava despenteado, e ele parecia... nervos
— Oi. — Ele disse, um pouco sem fôlego. — Desculpe o atraso.
— Onde você estava? Eu liguei, mandei mensagem... Fiquei preocupada. Aconteceu alguma coisa?
— Não, não! — Ele respondeu rápido demais. — Nada aconteceu.
— Então? — Insisti.
Markus hesitou. Ele afrouxou a gravata, desviando o olhar para o Mark na sala por um segundo antes de voltar para mim.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!