MARKUS BLACKWOOD
Sábado de manhã. O dia que eu mais temia na semana tinha chegado: a visita supervisionada de Patrícia.
O local determinado pelo tribunal era um centro de convivência familiar neutro, um prédio de tijolinhos no centro da cidade. Estacionei o carro e olhei para Mark pelo retrovisor. Ele estava quieto, segurando seu boneco do Batman.
— Lembra do combinado, campeão? — perguntei, virando para ele. — A Sra. Ramirez vai estar com você o tempo todo. Se você quiser ir embora, é só falar para ela.
— Eu sei, pai. — Mark suspirou.
— São só quatro horas.
— Tudo bem.
Desci do carro, tirei-o da cadeirinha e caminhamos até a entrada. A assistente social, uma mulher de meia-idade com ar bondoso, já nos esperava. Entreguei a mochila do Mark e dei um abraço rápido nele.
— Vou estar por perto — menti. Eu precisava sair dali para resolver o local do casamento, mas ele não precisava saber disso.
Assim que a porta de vidro se fechou atrás dele, girei nos calcanhares e caminhei apressado para o carro. Eu tinha um cronograma apertado. Lizzy estava me esperando a dez quadras dali para a maratona de visitas aos locais.
Entrei no carro e liguei o motor. Antes que eu pudesse engatar a marcha, alguém bateu no vidro do motorista.
Olhei para o lado e vi Patrícia.
Ela estava usando óculos escuros enormes e um sorriso que não chegava aos olhos. Abaixei o vidro apenas o suficiente para ouvir.
— O que você quer, Patrícia? Seu tempo é com o Mark, não comigo. Ele já entrou.
— Só queria dar os parabéns — ela disse, apoiando as mãos na lataria do meu carro. — Ótima jogada essa do noivado. Conseguiu convencer completamente o juiz.
— Não foi uma jogada, Patrícia. A Leah é a mulher da minha vida.
— Ah, por favor, Markus. — Ela riu, desdenhosa. — Nós sabemos que você só fez isso pela guarda. Daqui a seis meses, quando a poeira baixar, você descarta ela.
— Você está errada. De novo. Nós vamos casar muito antes do que você imagina.
O sorriso dela vacilou.
— Como assim?
— Infelizmente não posso ficar para explicar. Tenho um compromisso. — Apertei o botão para subir o vidro.
Arranquei com o carro, deixando-a parada na calçada com cara de confusão.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!