LEAH HAMPTON
Eu estava jogada no sofá da cobertura, aproveitando o silêncio. Markus tinha saído com o Mark para a visita supervisionada com a Patrícia e disse que ficaria esperando no carro, trabalhando pelo celular, para garantir que tudo corresse bem.
Era estranho estar naquele apartamento enorme sozinha, mas gostoso. Aproveitei para colocar uma máscara facial, ler um livro que não fosse de medicina e simplesmente não fazer nada.
Olhei para o relógio. 16:30. A visita terminava às 16:00. Eles já deveriam estar chegando.
"Devem ter parado para tomar sorvete", pensei, sorrindo. Markus tentaria compensar o estresse da visita com algum agrado para o Mark depois.
Voltei para o meu livro. Mas, dez minutos depois, meu celular tocou.
Número desconhecido.
Franzi a testa e atendi.
— Alô?
— Dra. Hampton? — Uma voz feminina soou do outro lado. — Aqui é Laura Ramirez, a assistente social designada para o caso do Mark Blackwood.
Sentei no sofá imediatamente.
— Sim, sou eu. Aconteceu alguma coisa? O Mark está bem?
— O Mark está bem, Dra. Hampton. A visita encerrou há quarenta minutos. A Sra. Valente já foi embora. O problema é que o Sr. Blackwood não está aqui.
— O quê? — Fiquei confusa. — Como assim não está? Ele disse que ia esperar no estacionamento.
— Pois é. Eu e o Mark fomos até o estacionamento, procuramos o carro, mas ele não está. O Mark disse que o pai prometeu esperar, mas a vaga está vazia. Estou tentando ligar para o Sr. Blackwood há mais de trinta minutos e ele não atende.
Senti um misto de preocupação e incredulidade. Markus? Atrasado para buscar o filho numa visita com a mãe instável? Impossível.
— Ele deve ter tido algum problema com o carro, ou bateria... — tentei racionalizar, já levantando e correndo para o quarto. — Onde vocês estão?
— No centro de convivência, na sala de espera. Mas o prédio fecha às 17:00, doutora.
— Eu estou indo. Chego em quinze minutos. Por favor, diga ao Mark que eu estou indo.
— Tudo bem. Aguardo a senhora.
Desliguei o telefone e arranquei a máscara facial com pressa, limpando o rosto de qualquer jeito. Vesti uma calça jeans e a primeira camiseta que vi pela frente. Peguei a chave do meu carro e corri para o elevador privativo.
Enquanto o elevador descia, disquei o número do Markus.
Caixa postal.
VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!