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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 3

LEAH HAMPTON

Estávamos na cozinha, Mark e eu. Ele estava devorando uma fatia de bolo de cenoura com uma felicidade que eu invejava, enquanto eu batucava os dedos na bancada, criando um ritmo de impaciência. O relógio parecia zombar de mim.

Ouvi o barulho de passos na sala. Mark parou de mastigar e eu armei minha melhor expressão de "você está muito encrencado".

Markus entrou na cozinha. Ele não tinha a postura arrogante de CEO, nem o charme de namorado perfeito. Parecia mais com um cachorro de raça que tinha acabado de mastigar o sapato favorito da dona e sabia que o jornal enrolado estava vindo.

Ele segurava duas sacolas coloridas e um sorriso torto, cheio de culpa.

— Oi, família... — Ele começou, a voz um tom acima do normal. — Trouxe presentes!

Markus colocou as sacolas no balcão como se fossem oferendas de paz a uma divindade furiosa.

— Para o meu campeão, o último lançamento do Lego Star Wars. — Ele piscou para Mark. — E para a mulher mais maravilhosa do mundo... chocolates belgas daquela loja que você ama.

Olhei para os chocolates. Olhei para ele. Estreitei os olhos.

— Mark — falei, sem tirar os olhos de Markus. — Pega o seu Lego e vai para o seu quarto brincar.

— Mas eu nem terminei o bolo... — Mark resmungou.

— Leva o bolo. — Peguei o prato e entreguei a ele junto com a sacola de brinquedos. — Vai montar o lego. A Leah precisa ter uma conversinha de adulto com o papai.

Mark olhou para mim, depois para o pai e entendeu o clima. Pegou as coisas e saiu correndo da cozinha como se fugir fosse questão de vida ou morte.

Assim que ouvimos os passos dele sumirem no andar de cima, Markus suspirou e passou a mão pelo cabelo.

— Ei, amor... — Ele tentou se aproximar, mas eu dei um passo para trás. — Eu sei que vacilei hoje. Vacilei feio. Mas juro que tive uma boa razão.

— Ótimo. Estou ouvindo.

— Jura? Vai me ouvir? — Ele pareceu esperançoso.

— Qual foi a razão, Markus? E pense bem antes de responder.

Markus olhou para os lados, como se a resposta estivesse escrita nos armários.

— Eu... bem, eu tive um imprevisto. O carro... o carro deu um problema no sensor. Tive que parar numa oficina de emergência e o sinal do celular morreu lá dentro. Você sabe como essas oficinas são blindadas...

A mentira era tão ruim, tão mal construída, que chegava a ser ofensiva. Markus dirigia um Aston Martin novo. Aston Martins não quebram sensores magicamente no sábado à tarde e param em oficinas de fundo de quintal sem sinal. E ele estava perfeito, sem uma mancha de graxa ou cheiro de gasolina.

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