LEAH HAMPTON
Eu estava no meio do plantão, andando pelos corredores movimentados do hospital, mas minha mente estava presa num looping infinito de três palavras: Orquídeas. Tulipas. Sábado.
Eu precisava de respostas. E como o homem com quem eu dividia a cama tinha decidido se tornar um cofre de segredos mal guardados, recorri novamente à única pessoa que me conhecia melhor do que eu mesma.
Me tranquei na sala de descanso dos médicos, aproveitando que estava vazia por cinco minutos, e disquei o número da Stella.
— Fala, doutora. — Stella atendeu animada, com barulho de crianças gritando ao fundo. — Salvando muitas vidas ou só se escondendo das enfermeiras chatas?
— Achei um recibo. — Falei, sem rodeios. — No bolso do paletó do Markus.
— Um recibo? Recibo de quê?
— De uma floricultura. Do dia que o Markus sumiu e disse que o carro quebrou na oficina. Stella, ele gastou quatrocentos e cinquenta dólares em flores.
— Flores? Ah... que... que bonito! Ele deve ter comprado para decorar o escritório, não?
— Decorar o escritório? Eu não recebi essas flores. Elas não estão na nossa casa. Para quem ele daria um arranjo desse tamanho, Stella?
— Olha, Leah... — Stella gaguejou. — Talvez ele esteja planejando uma surpresa para você? Sabe, tipo um jantar romântico atrasado? Homens fazem essas coisas, compram as flores antes e deixam guardadas... ou sei lá. Você está analisando demais! Para com essa paranoia! O Markus te ama. Ele não compraria flores para outra mulher.
— Então por que mentir sobre a oficina?
— Porque... porque talvez ele quisesse que fosse surpresa e deu errado! — Ela insistiu. — Leah, sério. Não estraga tudo com ciúmes bobo. Vai operar alguém e tira isso da cabeça.
Ela desligou antes que eu pudesse argumentar.
Fiquei olhando para a tela do celular. Stella estava escondendo algo, obviamente não posso mais contar com ela para falar essas coisas.
MARKUS BLACKWOOD
Eu estava sentado na minha sala, com três planilhas de buffet abertas na minha mesa e amostras de tecido para as toalhas de mesa espalhadas sobre contratos de trabalho.
Meu celular tocou, vibrando sobre uma amostra de tecido branco.
Olhei para o visor. Stella.
Atendi imediatamente. Stella não ligava no meio da tarde a menos que fosse importante.
— O que houve? — Perguntei, dispensando o "alô".
— Temos um problema, Markus. E a culpa é sua.
— Minha? O que eu fiz?


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!