MARKUS BLACKWOOD
DIA 4: A SALA
Era noite e chovia lá fora. Uma tempestade tropical repentina açoitava as janelas de vidro do bangalô, relâmpagos iluminavam o quarto escuro a cada poucos segundos.
Estávamos na sala de estar. O jantar tinha sido empurrado para o lado.
Leah estava sentada no meu colo, no sofá grande e macio, vestindo apenas uma das minhas camisas brancas. Estávamos ouvindo jazz no sistema de som, mas o barulho da chuva era a verdadeira trilha sonora.
Havia algo aconchegante em estar abrigado da tempestade com ela.
— Eu adoro esse som. — Ela murmurou, traçando o contorno do meu braço. — Faz eu me sentir segura aqui dentro.
— Você está segura. — Garanti, beijando o pescoço dela.
Minha mão deslizou por baixo da camisa, encontrando a pele quente da barriga dela, subindo para acariciar os seios livres. Ela suspirou, reclinando-se contra mim.
— Markus... — Ela virou o pescoço para me beijar, um beijo preguiçoso que logo esquentou.
Com um movimento suave, deitei-a no sofá. A camisa abriu, revelando o corpo dela sob a luz difusa dos relâmpagos. Leah era uma obra de arte, não importava se tinha sombras ou luz.
Dessa vez, não houve pressa, nem acrobacias. Foi sexo de conforto, de conexão. Deitei sobre ela, protegendo-a com meu corpo, e entramos num ritmo suave e constante.
Eu olhava nos olhos dela o tempo todo. Via o amor refletido ali. Via a confiança.
— Eu te amo. — Sussurrei, repetidas vezes, como um mantra, a cada estocada.
— Eu também te amo. — Ela respondia, as pernas envolvendo minhas costas, me mantendo perto.
Fizemos amor com a calma de quem tem a vida toda pela frente. O clímax veio suave, como a chuva lá fora, lavando qualquer resquício de tensão que ainda pudesse existir em nossos corpos. Adormecemos ali mesmo, no sofá, embolados num emaranhado de membros e camisas desabotoadas.
DIA 5: O CHÃO DE VIDRO
Era nossa última tarde completa. Amanhã, o hidroavião viria nos buscar.
Estávamos na sala novamente, mas dessa vez, nossa atenção estava no chão. O grande painel de vidro temperado no centro da sala mostrava o fundo do mar. Um cardume de peixes coloridos passava lá embaixo, ignorando os humanos acima.
Leah estava deitada de bruços no vidro, observando.
— É incrível. — Ela disse. — Parece que estamos voando sobre a água.
Me aproximei, ajoelhando ao lado dela. O reflexo azul do mar iluminava o rosto dela de baixo para cima.
— Faltou um lugar. — Comentei, passando a mão pelas costas dela.
Ela se virou, ficando de barriga para cima, e sorriu.
— Faltou um lugar? Como assim?
— O vidro. — Apontei. — Já batizamos o deck, a piscina, a cama, o sofá, a cozinha, o chuveiro... mas o chão de vidro continua virgem.
Leah riu, sentando-se e puxando-me pela camisa.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!