A voz de Felipe ecoou firme, fazendo ambos virarem.
Laura respirou fundo, limpando qualquer vestígio de emoção do rosto. Quando respondeu, o fez com a postura erguida e um meio sorriso sarcástico, aquele que só aparecia quando ela se sentia ferida.
— Nada, pai. — disse, com a calma que contradizia tudo. — O Edgar já estava indo.
Ela olhou para Edgar ao dizer isso, uma provocação silenciosa carregada de orgulho e dor.
Felipe se aproximou e estendeu a mão para Edgar, sério, porém cordial.
— Quem é vivo sempre aparece. — disse. — Edgar, como vai?
Edgar apertou a mão do mais velho com respeito.
— Muito bem, senhor Felipe.
Felipe manteve os olhos fixos nele, observando cada detalhe.
— As brigas entre vocês… nem depois de adultos acabaram, pelo visto. — comentou, com uma ponta de ironia. — Mas diga, Edgar… como você está? Conseguiu se formar?
Edgar endireitou a postura.
— Sim, senhor. Sou cardiologista.
O rosto de Felipe se abriu em um sorriso raro, surpreso e genuinamente satisfeito.
Ele puxou Edgar para um abraço firme.
— Até que enfim uma boa notícia. — disse, dando leves t***s no ombro dele. — Faço questão de ter você trabalhando comigo.
Edgar, pego de surpresa, retribuiu o abraço com respeito.
— Muito obrigado, senhor Felipe. Foi difícil, mas consegui.
Felipe segurou os ombros dele ao se afastar.
— Sempre vi futuro em você, garoto. Você não sabe o quanto estou feliz com essa notícia. Até hoje não entendo por que seu pai resolveu ir embora daquele jeito… idoso, doente. Poderia ter te ajudado muito mais.
Edgar baixou o olhar por um segundo.
— O senhor sabe como ele era. — disse com calma. — Quando tomava uma decisão, não voltava atrás. Mas o importante é que me formei… e trabalho no que eu gosto.
Felipe concordou com um aceno satisfeito.
— Vamos entrar.
Laura imediatamente se intrometeu, cruzando os braços e lançando a Edgar um sorriso que ele conhecia bem demais. Aquele que sempre vinha carregado de segundas intenções.
— Pai… ele já estava indo. — disse, sem disfarçar a ironia. — Muitos compromissos para resolver. Inclusive em pleno domingo.
Virou o rosto ligeiramente para Edgar, a voz pingando veneno doce. — Sabia que homem ocupado fica até mais charmoso? Principalmente quando sobra pouco tempo para… dar explicações.
Felipe a ignorou com a naturalidade de quem está acostumado a lidar com o temperamento da filha. Pegou um cartão no bolso e estendeu para Edgar.
— Toma meu cartão. Me liga. Temos muito o que conversar. E não precisa me chamar de “senhor”. Somos colegas de profissão agora.
— Vou ligar sim. — respondeu Edgar. — Eu realmente preciso ir.
Felipe assentiu, satisfeito. Mas antes de se afastar, lançou uma frase que fez Laura cerrar os olhos.
— Laura está solteira. — comentou como quem fala do clima. — Leva ela para sair qualquer dia. Quem sabe você consiga colocar um pouco de juízo nessa cabeça.
Não tive filhos que seguissem meu legado… mas posso ter um genro.
O sorriso de Laura foi impecável. Frio. Fino. Mortal.
— Claro, pai. — disse, com veneno envolto em elegância. — O seu legado sempre em primeiro lugar. Nunca foi sobre a minha felicidade… não vai ser agora que você vai se preocupar com isso, certo?
Felipe franziu a testa, mas ela não parou.
— E só para seu governo… — continuou Laura, erguendo o queixo. — Eu não vou ser igual à mamãe. Amante na vida de um homem. Fica tranquilo. Esse papel eu não desempenho.
Ela virou as costas antes que qualquer resposta viesse e entrou pelo portão da mansão, sem dar chance para réplica.
Edgar observou a cena, o coração apertando no peito.
— Acabei me esquecendo de uma coisa… — disse para Felipe. — Me passa o número do telefone dela?
Felipe soltou um riso baixo e passou o número para ele.

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