O silêncio caiu pesado entre eles. Olívia levou a mão ao rosto de Liam outra vez, mas agora o gesto era diferente, não era só ternura. Era compreensão. Liam disse, a voz baixa, carregada de verdade. O olhar estava fixo no dela, intenso demais para fugir.
— Você mexeu comigo desde o momento em que entrou naquele lugar. — Ele fez uma breve pausa, como se revivesse a cena. — Eu te observava o tempo inteiro. Aonde você ia, eu ia atrás… como uma sombra. — Os lábios dele se curvaram num meio sorriso contido, quase incrédulo. — Fiquei apaixonado por esses olhos azuis, profundos como o mar, desde o primeiro instante. — O olhar escureceu levemente. — E aquilo, naquela noite, me assustou.
Liam respirou fundo, passando a mão pela nuca, num gesto que denunciava o conflito interno.
— Você tinha um magnetismo que me puxava pra perto… e eu simplesmente não conseguia me afastar.
O silêncio se instalou por alguns segundos. O som do mar parecia mais alto. Ele inspirou de novo, como quem cria coragem.
— Por isso aproveitei a oportunidade quando te vi naquele jardim… — A voz saiu mais suave. — Sozinha. Descalça. Comendo bolo. — Ele sorriu de canto, um sorriso carregado de memória. — Você era diferente de tudo o que eu conhecia… — os olhos voltaram a encontrar os dela — … e aquilo me intrigou.
Olívia permaneceu em silêncio por alguns segundos. O olhar ainda preso ao dele, como se estivesse revivendo aquela noite. Então, devagar, ela estendeu a mão e entrelaçou os dedos nos de Liam.
— Você me assustou naquela noite… — confessou, a voz baixa. — Mas eu também não conseguia me afastar. Eu nunca iria com um desconhecido para um lugar mais reservado. — O aperto dos dedos se fortaleceu levemente. — Pela primeira vez eu senti as famosas borboletas no estômago naquela noite.
Liam inspirou fundo, como se precisasse atravessar uma lembrança difícil antes de continuar.
— Eu fui atender a Laura… — disse. — Como sempre, ela tinha aprontado alguma coisa. — Ele passou a mão pelo rosto, tenso.
— Depois que desliguei, eu saí da festa, entrei no carro e mandei o motorista dar partida. Confesso que estava fugindo do que estava sentindo.
O olhar dele se perdeu no horizonte escuro por um instante.
— Mas os seus olhos não saíam da minha cabeça. O gosto do seu beijo. O seu jeito. — engoliu em seco. — Então eu falei comigo mesmo: “Mãe, me perdoa… mas ela é diferente.”
Liam apertou os dedos dela.
— E mandei o motorista voltar. — Um meio sorriso nervoso surgiu, breve. — Fiquei ansioso pela primeira vez na vida. Torcendo para que você ainda estivesse lá. — O sorriso desapareceu. — Quando cheguei, eu te vi com um homem. Parecia que vocês estavam discutindo. Ele estava de costas pra mim, mas eu ouvi você dizendo que ele não precisava ficar com ciúmes… que você não era louca de ficar com alguém. Depois, você o abraçou. Disse que ele era o grande amor da sua vida.
A voz de Liam ficou mais dura, carregada de ressentimento antigo.
— Aquilo me atingiu como um soco. Senti uma ira absurda. Achei que você era uma farsa. Que tinha mentido o tempo todo. Que tinha se feito de mulher inocente, pura… só para me impressionar.
Ele fechou os olhos por um instante, como se a lembrança ainda queimasse.
— Concluí que minha mãe estava certa. Que as mulheres não prestavam. — Liam respirou fundo antes de continuar. — Do mesmo jeito que voltei… eu fui embora. Sem olhar pra trás. — Houve uma breve pausa. — Quando eu ouvi você falando com a Ísis, todas aquelas lembranças voltaram com força. Aquela noite. O beijo com o Peter no dia do nosso casamento. O André. Os nossos momentos juntos.
A voz falhou, não de tristeza, mas de conflito.
— Eu estava com muita raiva de você, amor. Porque, na minha cabeça, você era uma farsa o tempo todo. Fácil demais. Mentirosa demais. — Ele abriu os olhos e a encarou, vulnerável pela primeira vez. — Minha cabeça estava em guerra. Porque eu te via de uma forma… e o seu pai falava de você de outra completamente diferente

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