Ísis franziu a testa, claramente confusa.
— Por que a senhora diz isso? — perguntou, a voz insegura, os dedos ainda entrelaçados no colo.
Savana inclinou levemente o corpo na direção de Ísis, diminuindo a distância entre elas, o tom ficando mais baixo e sério.
— Minha filha, presta bastante atenção no que eu vou te dizer agora. — disse, com seriedade. — Se ele não tivesse viajado, você teria contado tudo. O Alex nunca vai aceitar esse seu passado. Principalmente porque você já trabalhou com um cliente dele… e esteve num evento meu. — Fez uma pausa breve. — Naquele dia havia muitos clientes e amigos dele lá. — continuou. — Mas fica tranquila. Ninguém vai te reconhecer. Você estava muito diferente. Eu lembrei porque sou observadora e tenho facilidade em guardar fisionomias.
Ísis sentiu o peito apertar.
— Eu não quero perder o Alex, sogra. — disse, a voz embargada. — Eu estava bem sozinha, apesar das dificuldades. Meu coração estava fechado. — As lágrimas começaram a cair. — Mas ele apareceu… e agora eu me acostumei com ele. E não só isso… eu o amo de verdade.
Ela respirou fundo, tentando se controlar e Savana escutava com atenção.
— Eu não consigo mais dormir tranquila pensando que, a qualquer momento, ele pode descobrir. — confessou. — Eu sei que ele ficou desconfiado nas bodas do senhor Frederico… mas, por causa do que aconteceu comigo, acredito que ele preferiu não tocar no assunto.
Savana endireitou a postura.
— Você não vai contar pra ele. — disse, direta. — O passado fica no passado. Não desenterra isso. — O tom foi firme. — Se você contar, o Alex vai terminar com você. Não tenho dúvidas. Ele tem um gênio forte… igual ao pai.
Ísis balançou a cabeça, aflita.
— Mas sogra… tudo o que é oculto uma hora vem à tona.
Savana suspirou.
— Se vier… — respondeu — eu estarei ao seu lado. E vamos ver o que pode ser feito. — Abaixou um pouco a voz. — Mas, por agora, seja feliz com ele. Não diga nada.
Ísis engoliu em seco.
— O Leonardo me disse que o Alex, quando quer, sabe ser cruel. — confessou. — E isso me dá medo. Eu não quero conhecer esse lado dele.
Savana cruzou os braços.
— Então você tem duas alternativas. — disse com franqueza. — Ou conta a verdade agora, sabendo que ele vai terminar sem chances de voltar, e falo isso sem medo de errar. — Fez uma pausa pesada. — Ou guarda isso por enquanto… vive essa relação… deixa ela ficar mais sólida. — Segurou as mãos de Ísis. — Se ele descobrir mais tarde, talvez vocês já estejam casados. Com filhos. — completou. — E ele não vai querer destruir a própria família. Eu conheço o filho que tenho.
Ísis chorava agora, sem tentar esconder.
— Sogra… por que a senhora está fazendo isso por mim?
Savana suavizou o olhar.
— Porque eu gostei de você. — respondeu com sinceridade. — O Alex já namorou outras mulheres… e eu não fui com a cara de nenhuma. — Sorriu de leve. — Mas você… eu realmente gostei. E nunca vi meu filho tão feliz.
Ísis olhou surpresa para a sogra.
— Ele me disse que vai casar com você. — continuou Savana. — Das outras, ele nunca demonstrou esse tipo de intenção. Então, sim… você é especial.
Ísis levou as mãos ao rosto e chorou.
— Eu tive tanto medo de a senhora não gostar de mim… — disse com dificuldade. — Quando a sogra não gosta da nora, o casamento quase nunca dá certo. — Respirou fundo. — A mãe do Caio é como a mãe que eu nunca tive.
Savana abraçou Ísis com firmeza.
— Estou amando essa surpresa, meu amor.
Edgar apertou de leve a mão dela mais uma vez, o olhar se perdendo na ponte que se aproximava.
— Você conhece a história dessa ponte? — perguntou, em voz baixa, respeitosa, como se o lugar pudesse ouvi-los.
Ela negou com a cabeça e Edgar ergueu o olhar novamente para a construção branca.
— A Ponte dos Suspiros ligava o tribunal às prisões. — disse. — Era o último lugar onde os prisioneiros viam o céu livre antes de serem levados para as celas. Dizem que eles suspiravam ali… por tudo que estavam deixando para trás.
Laura sentiu o peso daquelas palavras.
— Com o tempo — ele continuou — essa ponte ganhou outro significado. A dor virou símbolo de amor. Existe uma lenda… — Edgar sorriu de leve, emocionado. — que diz que, se um casal se beijar ao passar por baixo dela, ao pôr do sol, esse amor permanece. Um amor que nasce da dor… mas não fica nela.
A gôndola se aproximava do arco da ponte. A sombra começava a envolvê-los. Edgar respirou fundo e, então, pegou uma caixinha do bolso.
— E isso aconteceu conosco, vida. — a voz dele falhou, mas ele não recuou. — Nós também suspiramos. Nos amamos loucamente e nos separamos. Perdemos tantos momentos em que poderíamos ter sido felizes. Fomos feridos… — A palavra seguinte ficou presa. — E perdemos nosso filho.
As lágrimas já não eram contidas. Escorriam pelos rostos dos dois, livres, inevitáveis. Edgar fechou os olhos por um instante, como se precisasse de forças para continuar respirando.
— Nos ferimos e com isso… — a voz quebrou de vez. — quase não sobrevivemos.
Ele abriu os olhos, encarando-a com dor e verdade.
— Mas ainda assim… estamos aqui.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Nem uma atualizaçãozinha, tem gente chorando aqui 🥲...
Os capítulos estão demorando muito pra liberar...
Já tem 3 dias que não libera os capítulos...
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Posta logo...
Liberem os próximos capítulos, estou extremamente ansiosa pra saber o desfecho, cada dia esse livro esta melhor....
Nossa que desfecho maravilhoso da Isís iurulll...
Libera mais páginas estou ansiosa . Apaixonada por cada capitulo...
Libera mais capítulos..... sofro de ansiedade kkkkk...
Eu não consigo colocar crédito. Já tentei 3 cartões...