Na cobertura de Alex, a campainha tocou, quebrando o silêncio da noite. Ísis vinha do quarto, ainda ajeitando o cabelo, estranhando. Não estava esperando ninguém. Duck, deitado no tapete da sala, levantou a cabeça no mesmo instante e começou a latir.
— Ei, Ursão… — murmurou, observando o cachorro se agitar. — Pelo seu jeito, você sabe quem chegou.
Ela caminhou até a porta e abriu.
— Sogra? — perguntou surpresa. — Por que a senhora não entrou?
Savana sorriu antes mesmo de responder. As duas se abraçaram com carinho.
— Boa noite, querida. — disse ela. — Agora que meu filho finalmente criou juízo e tem uma companheira, alguns hábitos vão mudar.
Ísis fechou a porta e fez um gesto para que Savana entrasse.
— Sogra, a senhora não precisa mudar nada só porque eu entrei na vida do Alex. — respondeu, sincera. — Não vejo problema nenhum em a senhora entrar sem ser anunciada.
Caminharam juntas até o sofá. Ísis sentou-se ao lado dela.
Savana tocou de leve as mãos de Ísis, com um sorriso compreensivo.
— Minha querida, eu já fui jovem. Sei como é o início de um namoro. Os hormônios ficam à flor da pele… — riu de leve. — Não quero entrar e atrapalhar o momento íntimo de vocês.
Ísis ficou visivelmente sem graça e abaixou a cabeça.
— Não precisa ficar constrangida comigo. — Savana continuou, com naturalidade. — Não sou dessas velhas caretas, não. Sexo, de repente, no sofá, é maravilhoso.
Ísis olhou para ela, surpresa… e acabou sorrindo.
— É… realmente é. — disse, tentando acompanhar o tom. — Mas o Alex viajou. Ele não comentou com a senhora?
— Comentou, sim. — respondeu Savana. — Eu estava falando com ele agora há pouco. Nunca vi meu filho tão apaixonado. — Fez uma breve pausa, o olhar ficando mais sério. — Mas eu vim aqui porque preciso conversar com você. E sem ele.
Ísis assentiu, sentindo o coração acelerar.
— A hemorragia passou mesmo? — Savana perguntou, direta.
— Passou, sim. — respondeu Ísis. — Estou bem agora.
— Que bom, minha querida. — disse Savana, com cuidado. — Mas precisa acompanhar isso de perto, está bem? — Respirou fundo antes de continuar. — O que eu quero te perguntar é o seguinte… quem é você?
Ísis franziu a testa.
— Não entendi.
Savana manteve o olhar firme, mas sem dureza.
— Vou ser mais clara. — disse. — Você é Ísis… ou Eva?
O chão pareceu desaparecer sob os pés de Ísis. Os olhos se arregalaram, e as lágrimas vieram imediatamente.
— Eu posso explicar… — disse, com a voz falhando.
— Eu sei que pode. — respondeu Savana, com suavidade. — É por isso que estou aqui.
Ísis respirou fundo, tentando se recompor.
— Meu nome verdadeiro é esse mesmo… Ísis.
Savana assentiu, em silêncio.
— O que eu falei naquele evento sobre meu falecido marido é verdade. — Ísis continuou. — Eu perdi o Caio para a leucemia.
Ela enxugou as lágrimas que insistiam em cair.
— Quando descobrimos a doença, ele só viveu mais seis meses. Nós éramos atores, atuávamos juntos no palco. Tínhamos uma vida feliz. Ele era tudo pra mim.
— Eu acredito em você. — disse Savana. — Seu olhar diz isso.

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