Edgar abriu a caixinha.
O anel não era apenas belo, era uma história moldada em metal. O aro, em ouro branco, trazia uma linha contínua, sem início nem fim, levemente entrelaçada, como dois caminhos que se afastaram… e se encontraram outra vez.
No centro, um diamante oval, firme e luminoso, representava o amor que permaneceu mesmo depois da dor. Logo abaixo dele, quase imperceptível, um pequeno diamante invertido, cravado na base interna do aro. Invisível para o mundo, mas presente para sempre. Uma homenagem silenciosa ao filho que perderam.
Ao redor, pequenos diamantes delicadamente cravados lembravam as marcas do caminho: perdas, lágrimas, pausas… e recomeços. Não era um anel feito para impressionar. Era um anel feito para significar. Um símbolo de tudo o que quase os destruiu e, ainda assim, não conseguiu separá-los.
— Eu não quero um amor sem marcas. Quero um amor que atravesse. Que saiba de onde veio e, mesmo assim, escolha ficar. — ergueu os olhos para ela. — Casa comigo? Não para esquecer a dor… mas para transformar tudo o que fomos em eternidade.
Laura mal conseguiu respirar.
— Sim… — disse, entre soluços. — Mil vezes sim. Eu caso com você, Nego.
No instante em que Edgar colocou o anel em seu dedo, a gôndola entrou sob a ponte. A luz se apagou por um segundo, como se o mundo prendesse o fôlego.
Ele segurou o rosto dela entre as mãos e a beijou.O beijo foi lento, profundo, carregado de tudo o que eles não precisavam mais dizer. Não havia urgência. Só a certeza de que aquele amor tinha sobrevivido.
Quando a gôndola saiu do outro lado, a luz do pôr do sol voltou a envolvê-los. A Ponte dos Suspiros ficou para trás.
O beijo terminou devagar, como se nenhum dos dois tivesse coragem de se afastar por completo.
— Eu te amo — Laura sussurrou, ainda com a testa colada à dele.
Edgar fechou os olhos por um instante, respirou fundo.
— Eu te amo muito mais. — respondeu, com a voz embargada.
Ele então se afastou apenas o suficiente para alcançar o barbante preso à lateral da gôndola, onde balões brancos balançavam suavemente com o vento.
— E para podermos continuar esse novo capítulo das nossas vidas… — começou, a voz firme no início, mas traindo a emoção — eu preciso fazer isso com você.
Laura olhou para os balões, já entendendo.
— Nós vamos soltá-los juntos. — Edgar continuou. — Vamos nos despedir do nosso filho… e, a partir de agora, lembrar dele com amor. Porque ele foi feito com muito amor. — a voz dele falhou — E foi muito amado por nós dois desde o momento em que o descobrimos.
As lágrimas escorriam sem controle.
— Vamos ficar em paz… — ele respirou fundo, lutando para continuar. — Porque, mesmo que tenha sido curto, ele cumpriu o propósito dele. Agora… agora é um anjinho lá no céu. — a voz se quebrou de vez. — Um anjinho que vai cuidar da Luna… e dos irmãozinhos que ainda vão chegar.
Edgar já não conseguia conter o choro.
— Porque você, minha rainha… — disse, entre soluços — vai gerar nossos filhos. Filhos que vamos fazer com muito amor. Com desejo. Com entrega.
Laura levou a mão ao rosto dele, chorando também.
— Edgar… você não existe. — balançou a cabeça, emocionada. — Como eu tenho sorte em ter você. Obrigada por esse momento. Obrigada por esse gesto tão lindo… — a voz saiu baixa, rasgada. — Em todos os momentos você pensou no nosso bebê arco-íris.
Ela segurou a mão dele com força. Juntos, abriram os dedos lentamente. Os balões brancos subiram devagar, tocados pelo vento, ganhando o céu dourado de Veneza. Eles acompanharam o movimento em silêncio, abraçados, até que os pontos brancos se tornaram pequenos demais para distinguir.
E ali, envolvidos pela luz do entardecer, não havia mais despedida. Havia paz.
Depois daquele momento, Edgar levou Laura para um jantar romântico, onde não faltaram conversas em tom baixo, risadas contidas, muito vinho compartilhado, provocações sutis e olhares que diziam mais do que qualquer palavra. Havia algo diferente entre eles.

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